Por: Sebastião Catequista.
A vivência da liturgia (celebração da vida de Jesus e a presença e ação de Deus na vida, na história) passa necessariamente com todos os seus conteúdos pela celebração, cujo rito se faz necessário, e com a presença dos seus atores que ocupa um lugar especial, afinal, sem eles, não haveria celebração.
E como se trata da celebração onde se faz memória de Deus na vida do povo, é sumamente importante que ai haja a fé. A “alma” que tece o ritmo da celebração é a fé. Sem fé não há celebração. Pode haver assembleia, motivos, mas essa fica meramente um teatro. Não é uma assembleia litúrgica. A fé é essencial na celebração da Liturgia, porque nela se dá o encontro de Deus com o povo; e nesse encontro, o rito celebrativos tem seu lugar juntamente com a assembleia.
Que importância tem, então, a celebração, os ritos, os símbolos e assembleia?
A celebração, o rito e os símbolos
Celebrar faz parte da vida. Através da celebração expressamos sentimentos, damos evasão aos nossos sonhos e lutas, extravasamos energias, frustrações, alegria, mas também pela celebração adquirimos ânimos, forças, alimentamos utopias, fazemos memorias.
Toda celebração tem seus ritos e símbolos que evoca algum acontecimento: nascimento, morte, adquirir emprego, vitória de um time, aniversario, aquisição de algum bem móvel ou imóvel, visitas de amigos e parentes. Geralmente, em tais celebrações há músicas, comidas e bebidas…festa. Sempre há um rito (abraço, aperto de mãos, bater palmas, tocar/bater instrumentos, dançar, risadas, feições da face…) e símbolos que expressam o que se está celebrando (roupas, objetos, sons/músicas, bandeiras, troféus, bolas, fitas…) de modo a marcar na memória dos seus celebrantes esse momento e data.
Na liturgia também é assim. Na celebração temos um fato, um acontecimento, que é o mistério pascal de Jesus; há também todo um gestual (andar, ficar de pé, sentar, ajoelhar, cantar, bater palmas, fechar os olhos, dançar, elevar as mãos, ovacionar) carregado de símbolos (palavra, cruz, estandarte [bandeira], imagens, ícones, gestos, roupas) que expressam aquilo que cremos e celebramos. E nossas celebrações litúrgicas também constitui-se de certa ordem ritual onde há começo, meio e fim.
Evidentemente que aquilo que celebramos não cabe em “esquema” (ritos), mas, fazemos uso dos esquemas para melhor compreender e captar a beleza e graça do que celebramos; e que ultrapassa até mesmo nossa mera compreensão.
Na celebração, através do ritual canalizamos nossas forças, sentimentos, orações e memórias. É por eles (rito e símbolos) “materializamos” aquilo que se crer e se celebra; mas cujo sentidos lhes ultrapassam, pois se tratam de realidades escatológicas. Daí porque celebrar é de uma grande riqueza. E nossas celebrações não são algo meramente “racional” e nem tão pouco “fantasia” do meramente “espiritual” fora da vida, mas algo realmente real carregada de sentido. E o sentido é este: Deus na vida do povo; o povo na vida de Deus. E isso, rito e símbolos são frágeis em captar toda essência, mas necessários para bem celebrar.
Daí compreender a importância e o significado da celebração, do conteúdo que se celebra; e a importância e fragilidade do rito e dos símbolos.
Onde entra, pois, os atores da celebração, qual o seu papel?
A assembleia litúrgica
A assembleia litúrgica é o povo de Deus reunido como Corpo místico de Cristo na fé e no amor. Isto a diferencia de qualquer outra assembleia (futebol, política, lazer, sindicado, passeata social) até porque, quem a convoca e reúne para atender ao seu chamado é o próprio Deus. Os atores da assembleia liturgia é o próprio Deus; os homens e mulheres batizados/as – o povo da nova e eterna aliança[1].
E essas assembleias são uma característica da tradição bíblica-cristã.
No Primeiro Testamento temos alguns chamados de Deus… Ex 6,7; 19,24; 34 (assembleia do Sinai); Js 24 (assembleia de Siquém); Ne 8,8ss (assembleia de Esdras). Podemos perceber que todas as assembleias tem quatro elementos: a reunião do povo; a proclamação da palavra de Deus; a adesão do povo; um gesto que sela, marca a assembleia.
No Segundo Testamento há também assembleias: Jesus reunia o povo para ouvir a pregação (Mt 23,37); em Atos 2, temos a assembleia de pentecostes; e em Atos 14 a assembleia para ouvir a pregação apostólica, etc.
O que caracterizava essas assembleias era o ouvir a palavra, aplicar à vida, seguir os ensinos da Lei (no Primeiro Testamento); e no Segundo Testamento, ouvir o Evangelho, dá testemunho do Senhor ressuscitado.
Na atual assembleia litúrgica, seus atores, além dessas caraterísticas acima, incorpora os serviços ou ministérios cuja dinamização mobiliza a todos no decorrer da celebração: a acolhida, o coral, o leitor, o acólito, o ministro extraordinário, o padre, o sacristão (sacristã), os coletores (dízimos, ofertas, planfletores), os técnicos do som, o fogareiro (quando há incenso), o povo. Todos eles cumpre um papel litúrgico na celebração. Ninguém é mais que ninguém, todos exercem seus ofícios e papeis com fé, amor, devoção e adoração. Desse modo, a liturgia é realizada com uma harmonia sem igual. O encontro filial, o culto e a ação de graças dado ao Pai, pelo Filho no Espírito Santo; e Deus uno e trino, ama e abençoa o seu povo. Eis, pois, os atores e suas funções na liturgia.
[1] CNBB Nº 43, 76;77.
Bibliografia consultada:
- CNBB. Animação da vida litúrgica no Brasil. Documento da CNBB 43. São Paulo: Paulinas, 1990.
- CNBB. Guia Litúgico-Pastoral. São Paulo: Edições CNBB.
Confira primeira parte. Clique aqui: Liturgia
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