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Profeta

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            Os profetas bíblicos foram homens e mulheres dedicados/as a Deus no serviço da profecia. Ela é entendida como um apelo para voltar às fontes que deram origem ao povo e sua fé: a Aliança. A confiança exclusiva em Deus e seu projeto; e é por causa dessa fé exclusiva que a profecia também é denúncia da não vivencia da aliança (o julgamento); e anúncio da justiça e da misericórdia de Deus (a salvação).

            Esses homens e mulheres vocacionados viveram no final do período tribal; no contexto do reinado; e depois dele, até em meados do advento grego-romano quando não os vemos mais. Depois de um silêncio de um pouco mais de cem anos antes de Cristo, aparece João Batista, considerado por nós cristãos, o último profeta do Antigo Testamento, cuja atividade profética pré-anuncia o Messias, Jesus.

O profeta é um homem inspirado, é aquele que claramente tem consciência de que Deus está falando, se comunicando com seu povo.

De modo geral, os profetas se caracterizam pela sua forma de entrar em contato com Deus; pelo jeito de transmitir a mensagem; e pela função social que desempenham na sociedade.

Na história dos profetas, segundo os estudiosos, existe uma evolução natural quanto ao seu conceito e seu papel na sociedade. De adivinhadores, mágicos, visionários, videntes, místicos, homens de deus, até uma concepção mais “moderna” de profeta, foram muitos séculos e ascensão do pensamento e da cultura dos povos primitivos e bíblico.  E a Bíblia tem registro de vários personagens cujo nomes acima dito se prestam a sua “tarefa profética” no meio do povo. Contudo, “profeta” profeta enquanto uma personagem mais da palavra, do anúncio e denúncia da profecia enquanto agente social de peso e decisivo só o podemos encontrar a partir do século VIIII a.C., com as figuras de Elias, Eliseu, Amós, Oséias, Isaías, Jeremias, etc., É o período de ouro da profecia e dos profetas em Israel bíblico do Antigo Testamento e que vai até bem próximo do último período que antecede o nascimento de Cristo.

Então, na Bíblia, podemos encontrar historietas de profetas agindo de modo e com práticas “primitivas” (adivinhação, transe, sonhos, sacrifícios, consultas com objetos…) como de modo “moderno” decifrando oráculos, pronunciado a apalavra, realizando gestos simbólicos, etc.  Confira pelo menos algumas destas citações: 1Sm 6,1-12; 10,10;19,23-24; 2Sm 28,3-11s; Am 3,7; Jr 7,25; Is 47, 13-15.  Como podemos ver, quando se trata de consultar a Deus, prever o futuro (de pessoas, tribos, nação, guerras, situações…) ou enfrentar uma situação, o profeta ou pessoas “místicas” ligadas ao sagrado, como sacerdotes, por exemplo, são referenciais. É nesse contexto que “profetas”, adivinhos, magos, sacerdotes, se misturam e tem seu lugar e status próprios, e tanto para o povo da Bíblia como os povos vizinhos essa é uma pratica comum, mas, que ao passar do tempo vai ficando para trás, restando duas figuras que evoluem tanto na concepção quanto na sua ação e status na sociedade: o sacerdote e o profeta.

  E os profetas Elias, Eliseu, Amós, Oséias, Isaias, Miquéias, Jeremias, Ezequiel como muitos outros, deram uma nova contribuição para a concepção da imagem do profeta e da profecia, de modo que até hoje entendemos o profeta como homem da palavra e da ação com profundas convicções de , e uma capacidade de enxergar a realidade e o contexto que está inserido para além dele mesmo, podendo inclusive pregar uma mensagem de conversão e de esperança  para o povo, porém, também de “carão” sobre o povo, quando este não assume conscientemente o seu papel de povo perante seus destinos (Jr 1,4-19;

Assim, podemos por exemplo, intuir que tanto o profeta como a profecia são válidos ainda hoje, inclusive no meio do povo cristão, porém, com suas próprias caraterísticas de hoje. Desse modo, olhando o nosso século XX sobretudo para a Igreja do Terceiro Mundo, encontramos figuras luminosas que por sua postura, ação e palavras se revelaram e foram verdadeiros profetas no meio do povo.

dom-helderUm dom Helder Câmara, um dom Oscar Romero, um dom Leônidas Eduardo Proaño, um dom Pedro Casaldáliga, souberam por sua ação, coragem e lucidez profetizar ao povo uma nova esperança em meio ao caos da ditatura sobre nossa gente. E continuaram a profetizar com suas vozes e ações contra o novo e perverso sistema que em nome do progresso vem nos levando para um abismo. Suas vozes profética acordaram a consciência do povo e de sua reação surgiu gestos e vozes, projetos e grupos. A consciências acordou e aprendeu a fazer parcerias, unir forças, sonhar acordado com um “novo mundo possível”… o povo, a Terra, não está mais só!

Por isso, não é sem razão que, no seu leito de morte, dom Helder sussurrou: “não deixe a profecia morrer. ”  Dizendo com esse gesto e palavra o quanto ela, a profecia, é a bandeira que melhor traz o caminho de Jesus, o reino, neste tempo em que Deus de novo refaz o seu kairós entre nós.

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