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Período Grego do Antigo Testamento

rolobiblicoIntrodução

Esse período é marcado pela dominação grega. Foi com Alexandre Magno, o macedônio, que se deu a conquista. Ele, desde 333 a.C conquista a Ásia Menor, Síria, Tiro, Gaza, o Egito (332 a.C), a Pérsia (331 a.C) e chega até o vale do rio Indo (330-326 a.C).

            Segundo os historiadores, Alexandre foi aluno de Aristóteles, o filosofo. Foi responsável pela guarda do exercito de seu pai. Estudou geografia, artes, matemática, filosofia, etc. Quando seu pai morreu assumiu o trono e traçou o plano de conquista (1Mc 1,3). Após 12 anos de lutas venceu o império persa e reina por todo o oriente. Segundo o historiador judeu Flávio Josefo, ao conquistar a Palestina, tomou as seguintes medidas em relação aos judeus, a pedido do sumo-sacerdote:

  • Podia viver livremente segundo as suas leis;
  • Estavam isentos de impostos a cada sete anos;
  • Também os judeus da diáspora podiam viver livremente a sua lei judaica.

Mas depois, essa situação foi mudando aos poucos e esses privilégios foram sendo desfeito de forma lenta, e outras vezes de forma bastante violenta.

            Além de alcançar suas ambições políticas, Alexandre também queria difundir a cultura grega ou helênica. A palavra “helênica” vem de “Helen” e significa “grego”. A Grécia antiga era chamada de Hélade (1Mc 1,1)termo que em hebraico significa “Javã” (Is 66,19).

            Quando falamos de difusão da cultura grega estamos falando do seu jeito de organiza-se socialmente através da cidade, da vida urbana; do modo como organizam e vivem as relações sociais (livres, escravos e os libertos); do modo como encaram as pessoas, o mundo, a divindade, a cultura, a economia (escravagismo) e os valores e contra-valores.

Assim sua dominação se estende por todo mundo conquistado e essa dominação se fazia por diferentes meios tais como:

  • Seu estilo de vida;
  • A organização e administração da cidade;
  • A cobrança de impostos e taxas;
  • O comercio e a moeda;
  • Nova organização da agricultura;
  • As escolas filosóficas e a literatura grega;
  • A língua grega como língua oficial do comercio internacional;
  • A religião com suas divindades e mitos;
  • Os esportes, os ginásios os teatros, as praças, a arquitetura e escultura.

Diferentemente da cultura judaica onde a vida estava baseada na família, no clã tribal, e na pratica da Lei e nas relações comunitárias, a vida grega está baseada na liberdade do individuo que busca afirmação para sua existência e seu lugar na sociedade como cidadão livre.  Enquanto os judeus são monoteístas, os gregos eram politeístas. A religião é coisa individual e quem decide seus caminhos e a vida são os próprios homens. O centro da vida para os gregos é o homem. Para os judeus, o contrário, é Deus quem decide a vida. O centro da vida é Deus. O homem é seu parceiro em Aliança (Torá) e essa aliança é quem influencia o agir comunitário, o agir do individuo na comunidade. A religião é quem define a vida e não é o homem é que  define a religião.

Esse pensamento da cultura grega toma conta da vida dos conquistados, mas com os judeus é diferente, há resistência. Essa resistência acontece no período posterior com a disputa dos generais pelo império.

Em 323 a.C, Alexandre Magno morre de malaria com 33 anos de idade e dessa data até 301 a.C, seus sucessores disputam o império por 20 anos.

            Depois das lutas entre os generais de Alexandre Magno, a dominação dos gregos sobre a Palestina pode ser dividida em dois grandes períodos. Num primeiro momento, isto é, de 301 a 198 a.C., a Palestina ficou sob o domínio da dinastia do general Ptolomeu a partir de Alexandria no Egito. Depois de 198 a.C., porém, os Selêucidas, como ficaram conhecidos os sucessores do general Seleuco, conquistaram a Palestina dos Ptolomeus e passaram a dominar Israel desde a Antioquia da Síria, a capital do seu império.

            Em torno de 350 a.C., é escrita a tradição hebraica de Ester  e durante o reinado de Ptolomeu II acontece a tradução da Bíblia hebraica para o grego, a Septuaginta (Bíblia Católica). Nesse meio tempo temos a edição de Zacarias 9-14 e o livro do Eclesiastes. Em torno de 200 a.C., temos a edição do livro de Tobias. Tudo isso no período do reinado dos Ptolomeus que durou um século.  

Dominação dos Ptolomeus (301- 198 a.C)

            A dinastia dos Ptolomeus é assim chamada porque o nome do primeiro rei dessa dinastia foi Ptolomeu. Como seu pai se chamava Lagos, também é conhecida como a dinastia dos lágidas.

            O século de domínio por parte dos Ptolomeus foi um período em que houve muitas tentativas dos Selêucidas se apoderarem da Palestina, promovendo sucessivos ataques. Os gregos estabelecidos no Egito organizaram um estado burocrático e fortemente centralizado. Vigiavam todas as colônias e cobravam autos impostos. Tinham medo da autonomia de cada região e por isso, tinham forte presença. O auge do poder dos Ptolomeus foi com o Ptolomeu II. É nesse período foi traduzida a Bíblia do hebraico para o grego como já foi dito. Também o livro da Sabedoria foi desse período.

            Os judeus da diáspora estavam mergulhados na cultura grega, menos na religião, que por tradição adoravam a Javé e mantinha a Aliança dos Pais através da Lei de Moisés. O livro da Sabedoria é uma releitura da cultura e sabedoria judaica em contexto e solo grego.

            Os judeus da Palestina por sua vez eram fieis a sua cultura judaica, mas estavam divididos. A elite do povo assumia a ideologia grega por causa dos privilégios e riquezas, enquanto o povo e os mais religiosos abominavam essa cultura e mantinha resistência. Por exemplo, em 2Mc 3,11 fala-se da família de Hircano que tinha muito dinheiro e depositava sua riqueza no templo. O templo servia tanto para o culto como para o cambio. A família dos Tobiadas (livro de Tobias) era possivelmente a família mais rica da província e um exemplo de zelo pela Tradição e subordinação ao regime.

            Uma mudança significativa em relação aos persas é que não há mais um governo civil e um religioso. Agora é o sumo-sacerdote que exerce todo poder, civil e religioso. E nesse caso, ele tem a seu lado um conselho de anciãos (Cf.  1Mc 12,6; 2Mc 1,10; 11,27) e que mais tarde ainda no tempo dos macabeus será o Sinédrio.

            Os largidas não puseram à força, sua cultura helênica na vida judaica. Deixaram que ela aos poucos fosse absorvida pela cultura judaica, por isso, a resistência ser pacifica salvo algumas exceções.

            Essa resistência aparece sobretudo na escrita dos livros de Ester, Eclesiastes, Zacarias 9-14 e o livro de Tobias. Por isso, é bom ler esses livros tendo em mente esse contexto.

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