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Oração: um caminho, uma tradição.

floresA oração é uma necessidade da alma. Assim como o corpo necessita de alimento para sua sobrevivência, do mesmo modo a alma precisa da oração.

            Pela oração a vida se torna suportável quando os conflitos, decepções e dores do cotidiano aparecem. Orar é um ato de fé, mas também de humildade e esperança – porque expomos nossas fraquezas, nossa pobreza, limitações e utopias.

            Ao orar não estamos sós, mas pelo contrário estamos em intima comunhão conosco mesmos e com a suprema divindade. Por isso, a oração é sempre comunhão e presença. Presença do amado amante, presença desejada, contemplada, adorante. Nesta Presença Somos e Estamos (cf. At 17,28s) de modo que Existimos verdadeiramente.

            Essa Presença vem a nós (cf. Ap 3,20) e pede licença e se O deixamos entrar, se estabelecerá com suave doçura em nosso coração e faz morada. A “Beleza tão antiga e tão nova” (Santo Agostinho), a Melodia do nosso Ser, a Poesia de nosso coração.

            Orar é um ato de amor enamorado do Amor. Então como orar?

            Segundo uma antiguíssima tradição cristã dos Pais do Deserto “A oração é uma conversa com Deus. Quem ama a Deus conversa incessantemente com Ele como com um Pai” (Evágrio Pôntico[1]). Essa oração é prescindida de uma única palavrinha cuja simplicidade é de uma potência que ressoa no coração como o toque do sino repicado em suave badaladas de louvor ao Senhor.  O escritor anônimo da Nuvem do Não-Saber assim nos exorta: “Portanto, quando você iniciar este exercício, e souber por experiência, através da graça, que você está sendo chamado por Deu para isso, levante então seu coração para Deus com um humilde impulso de amor e destine-o ao Deus que criou você e o resgatou, e que na sua graça chamou você para este exercício. Não tenha outro pensamento sobre Deus; nem mesmo qualquer um destes pensamentos, a menos que seja de seu agrado. Pois uma simples aproximação em linha reta a Deus é suficiente, sem nenhuma outra exceto Ele próprio. […]. Por isso, a fim de obter melhor compreensão disto, tome só uma palavrinha, de uma sílaba, preferencialmente, ou duas; pois quanto mais curta melhor, de acordo com este exercício do espirito. […] Escolha a que você preferir, ou qualquer outra segundo o seu gosto a palavra de uma sílaba de sua preferência. Prenda esta palavra ao seu coração, de modo que, aconteça o que acontecer, ela jamais vá embora. Esta palavra há de ser o seu escudo e a sua espada, quer você esteja cavalgando na paz ou na guerra. ” (Capitulo VII)[2]

            Essa oração, também conhecida por: Oração do Coração, Oração Interior, Invocação do Santo Nome, Jaculatória, Mantra, é uma oração que possibilita meditar com simplicidade, alcançando voos de contemplação e interiorização de excelente qualidade. Orar a Oração do Coração é nos interiorizar com facilidade, além de ser uma excelente ferramenta de sossego, paz e tranquilidade em meio as agitações do dia-a-dia. Pela sua pratica é possível alcançar equilíbrio interior, ter uma qualidade de vida e ser uma boa ajuda para a saúde (não é à toa que a Secretaria de Saúde de algumas cidades já adota esse tipo de oração e meditação entre seus funcionários e pacientes) de modo geral.

            Na Oração do Coração expomos nosso próprio Eu para melhor está em comunhão com o Todo, o Nós da Presença amável e doce do Senhor.

            Como, pois, invocar e praticar esse caminho orante? Como praticar a Oração do Mantra, do Coração? Também aqui, escutamos a tradição dos antigos Pais do Deserto. Eis o que eles nos dizem: “ A metodologia orante consiste em: primeiro vigiar a imaginação, segundo guardar o coração em silêncio e a terceira repetir incessantemente o santo e bendito Nome do Senhor e conservá-lo initerruptamente” (Hésiquio, o Sinaita); “A base verdadeira da oração é esta: ficar atento a seus pensamentos e entregar-se à oração numa tranquilidade e paz, de maneira a não chocar os de fora…” (Pseudo-Macário[3]).

            Repetir incessantemente o Nome Santo do Senhor. É o que nos diz todos os grandes mestres e experimentados nessa forma e caminho de oração. E como podemos repedir? Com que frequência?

            A Oração do Coração só é possível acontecer rezando, não há outro jeito. Entretanto é opinião comum que se recite a oração pelos menos vinte minutos pela manhã antes dos inícios das atividades diárias e, à noite, vinte minutos, antes do repouso. Durante o dia sempre que for possível, repetir sem cessar e de modo discreto, para além de obter ritmo, a mesma possa se enraizar em nossa mente e coração, para que possamos produzir os frutos desejados.

            É importante compreender que, essa forma de oração e meditação não é melhor ou substitui qualquer outra, pelo contrário, ela é apenas mais uma experiência da grande tradição milenar orante da Igreja, tendo apenas um diferencial no que se refere a simplicidade e alguns frutos alcançados em menos tempo, como já citados aqui. Contundo é verdade que, esse caminho de oração exige de nossa parte algum esforço e que, seu objetivo primeiro e único não é alcançar “graças”, mas tão somente ter a Presença e estar na Presença amorosa do Senhor de modo consciente, enamorando-se de sua Beleza e Amor pela fé, segundo o Espírito, pois, só o Espírito é que nos faz orar como convém.

            Em minha experiência de praticante a mais de vinte anos, posso afirmar e testemunhar que vale apena experimentar essa forma de oração. Só Deus sabe o quanto ela foi o diferencial em minha vida em momentos de crises, dores, dissabores e nesses momentos, o quanto tive a graça de sentir e perceber sua presença e amor sempre fiel. Sim, há muito que poderia dizer sobre o Mantra, a partir das minhas experiências desde a vida pessoal à vida pastoral e interior, mas não o cabe dizer aqui por hora, entretanto, posso afirmar que, uma vez iniciada nessa forma de oração e levada a sério você não será e não verá a vida, Deus, as coisas do mesmo jeito… uma transformação interior de proporções incalculáveis acontece. Só praticando para ver e saber. Palavras não dizem tudo o que sentimos e o que queremos de fato dizer. Aliás, não foi isso, por um acaso que, santo Tomás de Aquino (se bem recordo, e se me falha a memória, perdoe-me) expressou quando ao final de sua obra exclamou: “ Ainda não era isso que eu queria dizer”,

            Hoje, então, cresce na Igreja o número dos meditantes e praticantes da Oração de Jesus – outro nome dado a essa forma de oração; e que no Catecismo da Igreja Católica está registrado e até nos exorta a todos os cristãos a praticar esse caminho orante. Aqui na internet você vai encontrar muita coisa boa, mas também muito bla bla bla sobre esse caminho. Se você prestou atenção nesse texto, viu algumas palavras em destaque, e que ao clicar nelas, você irá para sites seguros de grupos e mestres que muito tem a dizer e testemunhar sobre essa tradição cristã.

            Então, você quer orar de um jeito diferente e totalmente simples? Eis a Oração do Coração ou Mantra. Boa experiência, reze por mim.

Por: Sebastião Catequista.

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[1] Pequena Filocalia – o livro clássico da Igreja oriental, São Paulo, Edições Paulinas 1986
[2] A nuvem do Não-Saber. São Paulo, Edições Paulinas1987.
[3] Pequena Filocalia – o livro clássico da Igreja oriental, São Paulo, Edições Paulinas 1986

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