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O Período Persa (538-331 A.C.)

persasJudá cai nas mãos da Babilônia, que cai nas mãos dos Persas

O reino do norte de Israel havia sido conquistado pelos assírios em 722 a.C. sob a liderança de Sargão. Seus habitantes foram então deportados para a Assíria (2 Reis 17, 6) e para outras terras conquistadas. Por sua vez, os povos de outras nações conquistadas foram então importados, para povoarem a área conhecida como Samaria.

612 a.C., os babilônios, liderados por Nabopolassar, destruíram Nínive e conquistaram os assírios. O reino do sul, Judá, caiu nas mãos dos babilônios, sob Nabucodonosor, em 605 a.C., a família real e os líderes foram levados cativos para a Babilônia. Em 597 a.C. houve a segunda deportação por ocasião de uma revolta; depois, uma terceira revolta posterior, conduzida por Sedecias, foi suprimida em 587 a.C., com a destruição completa do Templo e deportação de todas as pessoas “profissionais” exceto as pessoas pobres do povo. Durante esse período o nome judeu entrou em uso. Ele denotava o povo da nação conquistada de Judá.

Estando tão longe de Jerusalém, e sem ter o Templo de Salomão, surgiram as “sinagogas” (“reunidos juntos”). Através delas o povo deportando manteve a memória histórica viva. Na sinagoga surgiu o ensino regular da Torah.

No convívio com a cultura babilônica os judeus assimilaram e foram influenciados por sua religião. Questionados em sua fé desenvolveram a ‘teologia da criação’ e a crença nos anjos e demônios. Mas é com a influência da cultura persa que essas e outras idéias (doutrinas) serão marcantes em sua vida e nos escritos posteriores do Primeiro Testamento.

Os Persas dominam de modo diferente

Com Ciro, tendo unido as nações da Média, Lídia e Pérsia, a Babilônia em 538 a.C. foi vencida; e os persas permitiram o povo exilado voltar para as terras de seus pais. Por causa dessa política, a restauração de Judá foi possível. Contudo, a maioria dos judeus que estava na Babilônia não desejava voltar. Cerca de 50.000 retornaram, sob a liderança de três homens (Zorobabel, Esdras e Neemias), em três épocas diferentes. Os que ficaram os apoiaram com doações.

            Zorobabel um príncipe da linhagem real de Davi, conduziu a primeira volta em 535 a.C. Após alguma consolidação do poder, foi iniciada a reconstrução do Templo, tendo Josué sumo sacerdote (Ag 1,1.12; 1Cr 5,27-41; Esd 3,2). Sob a pregação de Ageu e Zacarias, o Templo de Zorobabel, foi terminado e dedicado em 516 a.C. Inferior em esplendor ao de Salomão, esse Templo existiu até que Herodes, o Grande, iniciou a obra de um maior, em 19 a.C.

            Na reconstrução do templo houve conflitos com os que ficaram na terra. Os “povos da terra” eram adversários da reconstrução do Templo. Sua origem se encontra entre aqueles que foram deixados após as deportações sob os assírios e babilônios; os povos trazidos para povoar o país;  e os inimigos anteriores dos dois reinos de Israel e Judá, que, em sua ausência, tiveram oportunidade de estender seus limites de influência. Os descendentes do casamento misto desses grupos foram denominados “samaritanos” (Cf. Esd. 4,1-5ss).

            Uma segunda volta ocorreu sob Esdras, em 485 a.C. Uma terceira foi liderada por Neemias, em 445 a.C. Começando com Esdras e continuando através do trabalho de Neemias e Malaquias, foram iniciadas reformas, que deveriam ter resultados de longo alcance.

            Desse período podemos consultar e ler os livros de: Daniel, Esdras, Neemias, Malaquias, Ageu, Zacarias, Ester, Isaias (56-66) e Tobias.

            Com a restauração do povo judeu em Canaã, nasce também uma literatura de resistência (Rute, Jó, Cânticos, Jonas, Joel) contra o projeto simbolizado na reconstrução do templo, nas atividades de Esdras e Neemias que lutam por um povo étnico, um culto ritualista, a lei da pureza, e o sábado.  Porque? Porque mesmo querendo preservar a identidade do povo e sua fé, o projeto de restauração era excludente  conforme o modelo anterior.

            Do período persa, podemos dizer que, em conclusão, nasceu o judaísmo; o povo é provocado a viver sem a realeza dravídica e sob a orientação do sumo-sacerdote e dos governantes que estão sob a tutela dos opressores. São os religiosos que saem fortalecidos; aos poucos os profetas vão desaparecendo; e as bases daqueles movimentos populares que terão consolidação no período romano no contexto da vida de Jesus.

            Após esse período, entra o contexto do período grego e romano.

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