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O período do reinado de Saul, Davi e Salomão

estreladedaviO Reinado de Saul e David

            A época dos juízes e da vida tribal representou um grande passo nas relações comunitárias e na vivencia do projeto igualitário da Javé. As tribos não tinham uma centralização política, a economia era de subsistência e partilhada, não havia tributação, trabalhos forçados e nem escravidão. Não havia exército permanente e o culto a Javé era descentralizado baseado na experiência do êxodo e da aliança.  Mas com a corrupção dos juízes e dos sacerdotes (1Sm 1-3) e os ataques dos reis das nações vizinhas, principalmente os filisteus, que queriam aumentar o seu domínio, sua economia, controlar as rotas comerciais, acabar com o culto a Javé e promover a escravidão, fez-se com que as tribos de Israel  desejassem uma nova forma de vida, a monarquia.

O primeiro rei foi Saul. Há três relatos sobre sua eleição (1Sm 10,1 – conta que Samuel ungiu Saul; 1Sm 10, 20-25 – conta que foi escolhido por sorteio; 1Sm 11, 12-15 – conta que foi proclamado rei pelas tribos no santuário de Guilgal). Saul foi ungido como chefe militar, representado os donos de bois (latifundiários). Ele não tinha uma máquina administrativa. A estrutura do seu reinado limitava-se a:

 –  O Rei Saul

 –  Abner, primo de Saul, comandante do exercito (1Sm 14, 50);

 –  Jônatas, filho de Saul, chefe do exército e valente guerreiro (1Sm 13, 2-3)

–  Davi, como  escudeiro (1Sm 16, 21)

            Mas Saul não foi fiel ao projeto das tribos e não inovou. Ele tomou para si a condição de sacerdote (1Sm 13, 7b-14), não cumpre o projeto de Javé (1Sm 15), passa a ter momentos de crise (depressão aguda) e fixa sua atenção sobre seu rival Davi (1Sm 16,14-23), mata os sacerdotes de Nob (1Sm 22, 6-23), consulta os mortos (1Sm 28) e comete a insanidade do suicídio quando está no campo de batalha lutando contra o inimigo (1Sm 31).  No lugar de Saul fica seu filho Isbaal ou Isboset. Ele assume a realeza (2Sm 2,8-11) mas não tem consistência e forças que lhe apóie. Desse modo, entra em cena o figura de David.

O segundo rei propriamente dito foi David. O livro de 1Samuel 16 até 2Samuel 6, mostra a “história da ascensão de David” e 2Samuel 7 até 1Reis 2 mostra a “história da sucessão de David” quando Salomão assume o poder, cujo reinado está escrito em 1Reis de 3 a11.

            Na vida de David podemos distinguir duas fazes: na primeira ele foi um líder popular, solidários com os excluídos, músico e escudeiro de Saul, chefe militar do exército do rei e casado com Micol (1Sm 18, 20.28) filha do rei; na segunda faze, lutou pelo poder, consolidado seu reinado primeiro em Hebron, depois em Jerusalém. Davi foi ungido por Samuel e o espírito de Deus estava com ele (1Sm 16, 1-13). Quando os filisteus ameaçaram a Israel, Davi mata Golias (1Sm 17, 1-18,5). Saul com ciúmes tentou matá-los muitas vezes e gastou muito tempo com essa investida fracassada (1Sm 18,7 e 21,12. [18,6 até 30,31];31).

            Davi tornou-se líder de um grupo de camponeses empobrecidos e endividados (1Sm 22, 1-5) e das grandes famílias de Judá (1Sm 25). Colocou-se a serviço de Aquis, rei da cidade filistéia de Gat, de quem recebeu a cidade de Siceleg (1Sm 17, 1-7) de onde saia para fazer saques na região (1Sm 27, 8-12).  Assim David foi conquistando o povo e os anciãos de Judá.  Em Hebron, cidade que fica a 37 Km de Jerusalém, David foi ungido rei pelos homens de Judá (2Sm 2, 1-4) e reinou durante 7 anos e meios (2Sm 5, 5).

            Depois do assassinato de Isbaal filho de Saul (2Sm 4, 2-8; 16, 8-10) as comunidades do norte também fazem aliança e aceitam David como seu rei (2Sm 5, 5-12). Isto porque, antes, ele conquistou Jerusalém, que era a cidade dos jebusitas e estava num território neutro em relação ao sul e ao norte.

            No seu reinado, David consolidou o poder, organizou uma estrutura monárquica a altura e conquistou todos os territórios de Canaã. Isto o fez popular e conquistar a simpatia do povo, pois ele cumpria a promessa de Deus para o seu povo: terra, nação grande e descendência.

            David consolidou seu reino e poder trazendo a Arca da Aliança para Jerusalém. Ela era sinal da presença de Deus no meio do povo. É como se ele manipulasse a religião ao seu favor (Cf. 1Sm 16, 13. 18; 17,37; 18, 14.28 2Sm 5, 10; 7,3; 2Sm 6) esses textos nos mostram como Deus legítima a Davi e a cidade de Jerusalém  como eleita por Javé. O mesmo se dá no tempo de Salomão. Agora o santuário virou tempo do rei, como o foi de Betel (Cf. Am 7, 13). Davi quis construir o templo (2Sm 5,11; 1Rs 5, 15-21s), fundou uma dinastia (2Sm 7,8-16). Na teologia do êxodo, a aliança era entre Deus e o povo (Ex 19, 3-8), no tempo de Davi ela passou a ser entre Deus e Davi (Cf. Sl 89, 4-5.31-37; Sl 2, 7-8) assumindo (criando) assim a “ideologia da filiação divina” que era própria dos reis faraós. Ele organizou a burocracia estatal não só aumentando os chefes militares como também os sacerdotes. O jebusita Sadoc passou a dividir o comando da religião com Abiatar, que havia pertencido ao sistema tribal (2Sm 20,23-26). Promoveu um recenseamento contrário ao projeto de Deus (2Sm 24,1-15) veja  o verso 9 como ele mostra o objetivo do senso, que é militar. David não vai a frente das tropas para a batalha (Cf. 1Sm 8,20 com 2Sm 11,1), tem  casos com mulheres, tem problemas com seus filhos e com a questão da sucessão ao trono (1Rs 1, 11-48; 2, 1-12) como podemos ver, no caso de Absalão (2Sm 15-19) e de Seba (2Sm 20, 1-22). Mas em tudo ele saiu vencedor, como um político hábil.

            Davi é considerado um grande rei, porque não exigia das tribos de Judá soldados para o serviço militar, pois boa parte deles eram estrangeiros e mercenários. Não cobrou tributo dos judaítas porque os estrangeiros que ele dominava os abastecia. Ele favoreceu mas a Judá do que ao Norte e por fim ele conteve os filisteus. Morreu sendo aclamado como um grande rei e passou para a história como o modelo do rei justo, mesmo que isso custasse para o povo nortista o silencio de sua tradição.

O Rei Salomão e a divisão das tribos

            No fim do mandato de David havia nas intrigas palacianas dois projetos para o reino: Adonias e Salomão. Pois, o sucessor de David deveria ser o filho mais velho. No entanto, Amnon, seu primogênito havia sido morto por Absalão (2Sm 13, 23-29). O terceiro filho, Absalão, foi morto pelo exército de David (2Sm 18, 9-18). Adonias que era o quarto filho estava vivo. David tinha ainda mais cinco filhos de outros casamentos (2Sm 3, 4-5; 5, 14-15), contudo Adonias era o legitimo herdeiro do trono. Porém ganharia o trono quem tivesse mais apoio na corte e nisso Salomão foi vitorioso.

            Comparemos os dois candidatos e os seus apoiadores[1].

ADONIAS:

SALOMÃO:

  • Nasceu em Hebron, no interior de Judá (2Sm 3,2-4)
  • Tinha direito à sucessão, pois era o filho mais velho ainda vivo.
  • Filho de Betsabéia, nasceu em Jerusalém, a capital do império (2Sm 5,13-16; 12, 24-25)
Abiatar: (1Rs 1,7):
  • Sacerdote levita que atuava no santuário de Jave em Nob, interior de Israel (1Sm 22,20-23)
  • Os sacerdotes de Nob protegeram Davi quando foi perseguido por Saul (1Sm 22,6s)
  • Era da família de Eli, sacerdote de Silo, mais ligado às tradições tribais (1Rs 2, 26-27; 1Sm 1-3)
  • Mudou-se para Jerusalém, quando Davi a conquistou dos Jebuseus (2Sm 8, 17)

Sadoc: (1Rs 1, 8):

  • Sacerdote de Davi. Apareceu pela primeira vez em Jerusalém. Provavelmente foi sacerdote da divindade jebusita e fez aliança com Davi (2Sm 8,17; 15, 24ss)
  • No reinado de Davi, dividia o sacerdócio com Abiatar (2Sm 20,25)
  • A partir de Salomão, os sumos sacerdotes foram sempre descendentes de Sadoc até a revolta dos macabeus, que depuseram Onias III, sumo sacerdote sadoquita, em 174 a.C (2Mc 4, 7)

Joab: (1Rs 1,7):

  • Comandante do exército e companheiro de Davi desde Belém, desde a época tribal (1Sm 26,6; 2Sm 2, 13; 8,16)
  • Morava na estepe e não na capital (1Rs 2, 34)
  • Posiciona-se contra o recenseamento promovido por Davi 92Sm 24,4)
  • Executava também ordens do rei.

Banaías: (1Rs 1,8)

  • Comandante da guarda real de Davi, isto é, dos soldados estrangeiros (2Sm 8,18)
  • Apareceu também pela primeira vez com Davi em Jerusalém, embora fosse natural de Cabseel (2Sm 23, 20-23)

 Betsabéia: (1Rs 1, 8):

  • Mulher do estrangeiro Urias, o hitita (2Sm 11, 3)
  • Mãe de Salomão (2Sm 12, 24-25)
  • Junto com Natã, manobra Davi para nomear Salomão como rei (1Rs 1, 11-31)

Nata: (Profeta e teólogo de Davi)[1Rs 1,8):

  • Impediu que Davi construísse o templo (2Sm 7,1-7)
  • Deu fundamentação teológica à dinastia de Davi (2Sm 7, 8-17)
  • Criticou a Davi adúltero e assassino (2Sm 12, 1-15)
  • Não apoiou o legítimo herdeiro do trono, posicionado-se a favor das pretensões de Salomão (1Rs 1,8.11ss)

David:

  • Espertamente, Natã e Betsabéia manobraram o rei, conseguindo seu apoio a Salomão (1Rs 1, 11-370

Semei, Rei e os valentes de Davi: (1Rs 1,8):

  • Não se tem maiores informações sobre Semei e Reí
  • Os valentes de Davi são as tropas mercenárias.

Embora não seja possível descrever com clareza o projeto de Adonias, podemos perceber que seus apoiadores foram pessoas que já estavam com Davi quando ele organizou os camponeses empobrecidos ainda antes de se tornar rei. Sua origem é no interior, do meio dos camponeses. É, pois, possível que seu projeto fosse semelhante ao de seu irmão Absalão.O projeto defendido por Salomão e seus apoiadores foi o projeto do continuísmo, que garantia os interesses e privilégios do pessoal da corte de Jerusalém, a capital. Visava à continuidade e ao projeto do sistema tributário. Se o projeto de Adonias representava mais os interesses do campesinato, o de Salomão representava os setores urbanos, de origem Cananéia.

            O grupo que apoio Salomão foi vitorioso na disputa. Salomão foi ungido rei pelo profeta Natã e pelo sacerdote Sadoc (1Rs 1, 38-40) a mando de David (1Rs 1, 32-35).

            Como rei, o primeiro ato de Salomão foi eliminar todos aqueles que apoiaram a Adonias e seu projeto. Adonias foi morto (1Rs 3, 13-25). Destituiu do sacerdócio Abiatar e o baniu para Anatot, substituindo-o por Sadoc (1Rs 2, 26-27.35b). Ordenou que Joab fosse morto e no seu lugar ficasse Banaías para o comando do exército (2Rs 2, 28-35) e por fim, eliminou Semei que era do clã de Saul, e que estava com Absalão na revolta contra Davi. Em seu testamento Davi recomenda a Salomão a seguir os mandamentos de Javé (1Rs 2, 1-9) mas na prática ele agiu diferente.

A corte criou toda uma teologia a favor de Salomão. Eles elaboraram propagandas onde o rei aparece como sábio, bom, justo, religioso e cultivador do javismo,  mas na pratica ele, com seus ideólogos faziam tudo o contrário: exploravam o povo nortista em detrimento dos sulistas, fez corvéias (trabalhos forçados), agiu do jeito do faraó do Egito. No seu governo, Israel como reino unido foi a grande nação, chegou ao apogeu e foi o maior império daquelas bandas que já se tenha ouvido falar na história. É no seu reinado que a Bíblia começa a ser escrita.

            Segundo a propaganda a serviço do rei no meio do povo,  Salomão foi tido como rei sábio (1Rs 3, 4-28; Sl 72,1; 127, 1; Pr 1,1; 25,1; Ct 1,1; Mt 12, 42b). Ampliou ele mesmo a burocracia acabando de vez com os costumes tribais e organizou 12 prefeituras para abastecer e manter o luxo de sua administração (1Rs 4-5,8). Ele explorava as tribos do norte (1Rs 5, 24-25.27), construiu o templo (1Rs 5 e 6), construiu o palácio real (1Rs 7) que durou 13 anos, fortificou várias cidades como fortalezas e cidades armazéns (1Rs 9, 15-25), construiu uma cidade portuária onde tinham frotas de navios mercantes (1Rs 9, 26-28). Tinha também uma frota de navios na cidade de Tiro (1Rs 10,22). Ele possuía um exército forte (1Rs 10, 26-29), sua administração e seu palácio real eram luxuosos e de grande riqueza (1Rs 10, 1-13.14-25). Lendo 1Rs 5, 1-8 podemos imaginar o sustento diário de sua corte. Por fim, Salomão construiu templos para deuses estrangeiros e para as divindades de suas mulheres estrangeiras (1Rs 11, 1-8) e isto lhe foi a causa de sua ruína e pecado.   Quando Salomão morre, assume o trono seu filho Roboão e esse na assembléia de Siquém faz com que as tribos se separem, em norte (Israel) e sul (Judá). Dessa forma o povo / o reino se divide (1Rs 12-13).

A DIVISÃO DO REINO

As comunidades do Norte, Israel:

            Livres do julgo do filho do rei Salomão, Roboão (1Rs 12,1-19), as comunidades do norte, Israel, passaram a viver sob o regime monárquico, com Jeroboão I. Valorizaram suas antigas tradições bem como as cidades de importância religiosa como Betel, Siquém e Dã. Organizaram seu exército a partir das bases. Os lugares altos passaram a ser valorizados com seus pequenos santuários, como expressão de sua religiosidade e cultura popular.  (1Rs 12, 26-33). Foi organizado um novo modo de ser sacerdote, ligado mais a vida do povo. O povo participava da vida civil e religiosa escolhendo seus reis (1Rs 16, 16.21-22).

            As tribos nortistas eram ligadas mais a tradição do Êxodo. Os profetas eram vistos como porta-vozes do projeto igualitário de Javé, o Deus da Aliança. Eles defendem o povo contra as ambições do reis e chamam a atenção do povo, quando não seguem a aliança, re-lida no contexto da monarquia (1Rs 18,16-19; 18,21). Sua espiritualidade é bebida na fonte do Êxodo e da Aliança (1Rs 19, 9-14).

            É muito forte para os nortistas a valorização da memória dos antigos, os pais e mães (patriarcas e matriarcas) do povo, como também dos profetas Elias, Eliseu, Amós e Oséias.

            As comunidades do norte, Israel, tinham como capital a Samaria e sua monarquia durou 210 anos. Tiveram 19 reis. Foi uma média de 11 anos para cada rei. 7 reis foram vítima de conspiração e assassinato e um 1 se suicidou.  Alguns fizeram sucessores, Amri (3), Jeú (4) e 9 não conseguiram fazê-lo. Eis a lista de todos os reis.

  1. Jeroboão I (1Rs 11, 26-13; 14, 1-20)
  2. Nadab (1Rs 14, 20; 15, 25-32)
  3. Baasa (1Rs 15, 33-16,7)
  4. Ela (1Rs 16, 8-14)
  5. Zinri ou Zambri (1Rs 16, 15-22)
  6. Amri (1Rs 16, 23-28.31; 2Cr 22,2)
  7. Acab (1Rs 16, 29-22,40)
  8. Ocozias (1Rs 22,52s-2Rs 1)
  9. Jorão (2Rs 3, 1-27; 6,8; 9,22-26)
  10. Jeú (1Rs 16,16; 2Rs 9,27-29; 2Rs 9-10)
  11. Joacaz (2Rs 10,35; 2Rs 14, 26-27; 2Rs 13, 1-9)
  12. Joás (2Rs 13, 10; 2Cr 25, 17-25; 2Rs 13,10-25)
  13. Jeroboão II (Os 1,1; Am 7, 9-11; 2Rs 14, 23-29)
  14. Zacarias (2Rs 15, 8-12)
  15. Salum (2Rs 15, 13-16)
  16. Manaem (2Rs 15, 17-22)
  17. Facéias (2Rs 15, 23-26)
  18. Faceia (2Rs 16, 5ss; 2Rs 15, 27-31)
  19. Oséias (2Rs 17) [Não confundir com o profeta Oséias]

As comunidades do Sul, Judá:

            Diferente de Israel, as comunidades do sul, Judá, ficaram fiéis a monarquia davídica. Quem governa o povo são os reis descendentes dos filhos de Davi. Jerusalém – conquistada por David (2Sm 5, 6-12) tornou-se importante centro político e religioso (2Sm 6). Em torno dela está organizada a vida das tribos do sul. Lá a elite (rei, sacerdote, grandes proprietários, funcionários real) administra o poder, a cultura e a religião. Há aumento de impostos, controle das rotas comerciais, perseguição, destruição e condenação dos santuários nos lugares altos do interior, controle do sagrado por parte da coroa real.

            Nas tribos do sul, Judá, o povo e a elite conservaram fortemente a tradição javista que tem como características: Javé por Deus, o êxodo e a aliança como fato fundante do povo consagrado. As tribos do norte também conservaram essa tradição. Porém, as tribos do sul fizeram uma releitura dessas tradições criando e aceitando outra tradição: a tradição real. Essa tradição diz que o rei e a monarquia são de vontade divina e Jerusalém é sua cidade exclusiva. Isto é vontade perpétua de Javé (2Sm 7, 1-17).  Essa maneira de pensar e agir não foram aceitos pelas tribos do norte, porque exclui suas tradições e além do mais, os nortistas não aceitavam a dinastia como vontade divina. As comunidades nortistas aceitavam o javismo porque tem sua base na aliança e no êxodo, mas rejeitava a monarquia enquanto dinastia divina. A dinastia era o governo de um só, passando pelos seus descendentes (hereditária), de modo que o poder estava na mão de uma só família. Para os nortistas, o poder monárquico é do povo, ele é quem escolhe o seu rei, e não uma família que manda e governa o povo perpetuamente, de geração a geração. Outro fator da separação foi a exploração do sul sobre o norte. Daí a separação.

            Durante a existência do reino de Judá, a máquina do governo, a sociedade e o povo vivem mergulhadas na lama da corrupção, no luxo, na exploração dos camponeses, havendo pobres e marginalizados. Os profetas de Judá criticam essa situação, exigem justiça e mudança de vida (Cf. Is 1, 10-20; 3; 24, 1-6; Jr 1, 4-19) mas a elite do povo não quer mudanças. Não escutam os profetas e como resultado os profetas anunciam o exílio (Is 10, 20-23; Jr 2, 1-37; Is 48). Judá será exilada, expulsa da terra, porque a terra não lhe pertence e sim, pertence a Javé, e, como não cumpriram a aliança com ele, serão desterrados e o templo destruído (Lv 25, 23; Dt 8, 7-20).

            As comunidades do sul, Judá, duraram 345 anos, tiveram 20 reis.  Uma média de 17 anos para todos os reis. Todos da dinastia de David, com exceção da rainha Atalia.  Assassinados foram 4 reis e a rainha Atalia. O faraó Necão matou o rei Josias. Eis a lista de todos os reis.

  1. Roboão (1Rs 14,21.31; 2Cr 11,1.18s; 2Cr 12,1-13.15a)
  2. Abias ou Abiam (1Rs 15, 1-8; 2Cr 13)
  3. Asa (1Rs 15, 9-24; 2Cr 14-16)
  4. Josafá (1Rs 22, 41-51; 2Cr 17-21)
  5. Jorão (2Rs 8, 16-24; 2Cr 21)
  6. Ocozias ou Acazias (2Rs 8, 25-30; 9, 27-29;2Cr 22)
  7. Rainha Atalia (2Rs 11; 2Cr 22, 9-15)
  8. Joás (2Rs 12; 2Cr 23-24)
  9. Amazias (2Rs 14, 1-22; 2 Cr 25)
  10. Ozias ou Azarias (2Rs 15, 1-7; 2Cr 26)
  11. Joatão (2Rs 15, 32-38; 2Cr 27)
  12. Acaz (2Rs 16; Is 7; 2Cr 28)
  13. Ezequias (2Rs 18-20; 2Cr 29-32; Is 36 a 39)
  14. Manasses (2Rs 21, 1-18; 2Cr 33, 1-20)
  15. Amon (2Rs 21, 19-26; 2Cr 33, 21-25)
  16. Josias (2Rs 22-23, 30; 2Cr 34-36)
  17. Joacaz (Jr 22,11; 2 Rs 23, 31-35; 2Cr 36, 1-4)
  18. Joaquim ou Eliacim ou ainda Eliaquim (2Rs 23, 36-24,17; 2Cr 36, 5-10)
  19. Joaquin (2Rs 24, 8-9; 2Cr 36, 9-10)
  20. Sedecias ou Matanias (2Rs 24, 18-25.30; 2Cr 36, 11-23)
  21. Godolias (Jr 26, 24; 2Rs 22,23; 25, 22-26)

Os profetas

É forte a presença dos profetas durante o reinado.

Em Israel atuaram durante o reinado, os profetas Elias, Eliseu, Amós e Oséias.

Em Judá atuaram: Isaias, Jeremias, Miquéias, Sofonias, Naum e Habacuc. Eles defendem o povo e o projeto tribal. Olham para a monarquia com certas reservas e voltam sempre a lembrar da ação de Deus no cativeiro, no deserto e quando havia as tribos. Como não foram ouvidos, tanto Judá como Israel foram para o cativeiro, expulsos da terra prometida, vagaram entre os povos (Assíria, Babilônia, Persas) como escravos, na esperança de voltarem à terra.

No cativeiro, foi forte a presença da profecia de Isaias segundo e Ezequiel. Quando voltam pra terra prometida é forte a presença de Ageu, Zacarias, Malaquias, Joel, Abdias, Jonas, e a profecia de Isaias terceiro.

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[1] Curso de Bíblia por correspondência. Formação do império de Davi e Salomão. Modulo 3. Fascículo 1. Pág, 40-41. Editora Cebi. 2001.

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