Novidades

Nova Bíblia Pastoral

nova_biblia_pastoral2            Este ano foi publicada a mais nova Bíblia católica com rosto latino-americano bem brasileiro se assim se pode falar. Estou falando da Nova Bíblia Pastoral.

            Nova porque não é uma atualização da anterior e nem mesmo um reformulação, mas, como disse seus autores em sua apresentação, é uma nova edição, em todos os sentidos. E o que traz essa nova edição?

            Após averiguar de modo eufórico, folhear suas páginas, ler notas, introduções,

ver as configurações das seções, subseções, capítulos e versículos e comparar com várias outras edições, pude constatar muitas novidades e melhorias. Nesse breve artigo aponto alguns elementos e instigo você a comprar, olhar, e comparar. Ver por sí só as novidades e fazer descobertas.

  1. Introduções, títulos, seções.

            A Nova Bíblia Pastoral (NBP) assemelha-se as outras quanto à classificação das introduções aos livros, os títulos e as seções internas dos capítulos e versículos. Até aqui nada de nenhuma novidade, entretanto, diferentemente das demais, o novo está no conteúdo apresentado de modo claro, simples, conciso e integrado, tendo como base a historia da salvação de modo geral. E isso constitui toda a diferença.

            Em suas abordagens, não prima por informações doutrinais dessa ou daquela ordem e muito menos por “cientificismo” da teologia dogmática, de ideologias, das “logias” a esmos; e nem pretende impor um dogmatismo da teologia, mas, pelo que percebi, se valeu do bom e do melhor que há nas áreas de humanas, história, cultura, teologia e gênero para ajudar na compreensão do texto no seu contexto.

            De fato, suas introduções a cada livro e seções são bastante esclarecedoras. Ajuda a contextualizar o livro, a compreender o enredo com seus personagens, matizes e história, bem como mergulhar no mistério da revelação divina aí contida. Para onde quer que var o leitor, estará informado e situado dentro do texto e no contexto.

            Peço a você leitor, se já tem a sua edição da Nova Bíblia Pastoral, confira o que digo, fazendo o seguinte exercício. Leia na introdução geral: “A formação do Antigo Testamento” nas páginas 9 a 18 e pegue os livros, por exemplo, de Genesis, 1Samuel, Esdras e Neemias, Isaias, Oséias, Amós e Malaquias. Leia suas introduções e veja como eles, através dessas introduções nos situam tanto no contexto histórico especifico, como no contexto mais amplo da história da salvação. Desse modo, elas contextualizando o livro, ajuda-nos a compreender seu conteúdo de forma que fica mais fácil fazer uma atualização para hoje.

            Geralmente, nas outras Bíblias, essas introduções são de ordem doutrinal com informações históricas “evasivas” e sem uma linha que permita-nos nos situar no contexto, sem uma boa dose de cursos bíblicos previamente realizados; e sem contar que, muitas vezes tais notas são de um demasiado rigor dogmático e uma teologia bem mais fechada. Ao contrário, a mim parece que, as introduções da NBP prima por uma teologia simples, mais profunda, positiva, aberta, histórica, contextualizada, substancial e sem perder o rigor e profundidade técnica.

            Em suma, as notas de introdução aos livros e seções são praticas, insere-nos no contexto do livro, seu enredo e personagens; como também esse dentro do contexto maior da história salvífica. Ajuda-nos a não perder o fio da meada, seja lá que livro for que você procura ler, saberá exatamente em que momento da história se encontra e juntamente com a proposta do texto pode fazer sua experiência orante e de Deus na vida do povo e em sua vida.

  1. Notas de rodapés

            Toda Bíblia traz no rodapé notas que esclarecem tanto uma seção inteira como versículos de difícil compreensão. São anotações que enriquece a compreensão do texto. Essas anotações são ora de ordem teológica, ora de ordem exegética, ora de ordem litúrgica ou catequética e assim por diante.

            Na Nova Bíblia Pastoral essas notas tem sabor especial. Elas, além de ser e ter tudo isso, nos coloca elementos que situa o texto no contexto de ordem mais ampla e tem um critério bem pastoral quanto catequético.

            Seu contexto (os das notas) e recursos, como é o caso, dos textos paralelos, nos dá uma hermenêutica (atualização) bem mais precisa e atual. Essas notas também nos remetem a várias outras situações ou textos, quando indicado, que facilita a compreensão do todo. É o caso, por exemplo, de textos como Malaquias 3 e paralelos que estão na nota do rodapé. A nota contextualiza o capítulo na história geral e nos remete a outros textos, desmascarando uma falsa compreensão do dízimo e possibilita-nos uma compreensão mais ampla do mesmo. Se não confira.

            Poderíamos elencar várias outras notas de rodapés e paralelos interessantes propostos pela NBP, mas não é a hora e nem o lugar, nesse artigo. Mas, porém, apresento para você, alguns exemplos clássicos que é utilizado na e pela catequese.

            Por gentileza, leia e confira os textos e notas de rodapés juntamente com seus paralelos, principalmente, os paralelos. Pesquise e leia: Gênesis 1-11; 17; Êxodo 3,13-15; 6; 7,8-1521; 12-13.

            Como podes ver, notas de rodapés, introduções, seções, divisões de capítulos/versículos com todos os seus conteúdos e recursos, parece nos dar a exata noção de onde estamos, com quem estamos, o que está acontecendo e para onde vamos. Com isso, fica fácil experienciar o texto e fazer uma boa degustação mistagógica do mesmo, de modo que se torne oração comprometida e nos insere dentro da história da salvação. Dá-nos a impressão de que estamos dentro e fazemos parte dessa história e que a bola da vez agora é conosco.

  1. Conclusão.

            Esses foram alguns elementos que percebemos de novo na NBP. Vale apena, confesso, adquirir um exemplar da mesma. Pois, não é apenas mais uma Bíblia no mercado; é sim uma Nova Bíblia que veio somar às outras e sugerir uma nova e mais nova das novas leituras bíblicas e interpretação, com rigor cientifico e visão pastoral.

            Fico devendo uma abordagem mais completa sob outros ângulos, mas creio que no decorrer do tempo, vamos postando artigos que ajudam a conhecer e melhor usar essa nova ferramenta pastoral. Por enquanto, ainda é cedo falar de limitações e “defeitos”.

            A Bíblia Pastoral anterior foi lançada num contexto e para um contexto e teve seus méritos. Ajudou a evangelizar gerações, que se aproximaram da Palavra. Também a Nova Bíblia Pastoral é lançada num novo contexto, onde estão em evidencias à linguagem de gênero, novas formas de culturas, novas formas de compreensões e releituras dos muitos valores que há séculos a fio orientou gerações, e que hoje, não tem tanta força assim, quanto antes. E muitos novos valores estão surgindo; e é preciso iluminar essas novas realidades com a Palavra de Deus, de modo inserido e sempre novo, pois ela é a mesma ontem, hoje e sempre.

            A Nova Bíblia Pastoral terá sua grandeza e dará sua contribuição para as novas gerações, sem dúvidas. Em fim, a Bíblia é a Palavra de Deus, palavra que encontramos por trás de cada texto lido, interpretado, rezado, celebrado, meditado, vivido e sentido com fé, espera e amor. Vale apena conhecer a palavra, pois ela “é lâmpada para os pés e luz para o caminho” Sl 119,105.

6 Comments on Nova Bíblia Pastoral

  1. gostaria de saber se nesta nova versão o livro de Eclesiástico está completo, pois na versão antiga o capítulo 1 vai só até o versículo 29, enquanto nas outras edições vai até o versículo 40.

    • Bíblia e Catequese // 11 de novembro de 2017 em 11:23 // Responder

      Caro Alexandre, a Bíblia da CNBB que segue a versão da Nova Vulgata traz 40 versículos. As Bíblias do Peregrino, a Tradução Ecumênica da Bíblia – TEB, a edição da Editora Vozes, trazem todas elas 30 versículos. A Bíblia de Jerusalém tem também 30 versículos, porém com exceção do verso 13 por diante, é que ela passa a partir daí enumerar diferente, colocando os versos ao lado, chegando assim ao número de 40 versículos. As demais (Pastoral e Nova Pastoral) trazem 29 versículos. Porque? Porque temos dois textos: o Hebraico e o Grego inclusive com algumas adições de tradições posteriores. Tais versos complementam a ideia do texto com alguma informação importante para o conjunto da obra, ou porque, melhor explicita a sua mensagem em tão poucas linhas e palavras. Mas os especialistas consideram também seu valor histórico e a probabilidade de fazer parte do conjunto original. Coisa que em nada diminui o “sagrado” do texto. Quando os tradutores e editores em consenso com a Igreja imprimem a Bíblia Moderna em suas diferentes traduções, levam em conta esses pormenores, de modo que é comum hoje termos o texto hebraico e em itálico o texto grego (confira outros livros da Bíblia que você verá) numa mesma obra. Com isso quem ganha é a Igreja com seus leitores. Um outro dado a considerar é que, a numeração em capitulo e versículos é coisa meramente didática para facilitar a leitura e memorização (confira aqui no blog numa outra matéria essa história), não faz parte do “sagrado” da obra. E por isso mesmo há diferenças em sua classificação em várias bíblias, dependendo como a equipe de tradutores interpretam tais versículos, mas essas diferenças não são tão discrepantes assim, mas coisas “minimas” que as vezes passam despercebidas dos olhos dos leitores menos atentos, e que para um grupos de estudos bíblicos por aí, faz alguma diferença na ordem de compreensão de modo geral, porém, isso não tira o brilho do texto e nem o seu caráter sagrado haja vista que em certo sentido, é apenas para fins didáticos.
      Bem, esperamos ter respondido. Agora faça o exercício de comparar sua versão da Bíblia com as demais, vai ser uma experiências cheia de descobertas e no mais… atice a curiosidade e olhe mais nosso site. Obrigado.

  2. Ernesto ruiz sobrinho // 1 de Abril de 2017 em 08:55 // Responder

    Gostei da resposta, no meu entender está correta

  3. edeltrudes lins dd farias // 28 de Março de 2017 em 22:32 // Responder

    Eu ja adquiri a biblia pastoral atualizada e muito simplificada gostei muito

  4. Em 1Cor 15.52 diz na Nova Pastoral: “ao último toque da trombeta”. Enquanto que nas outras versões está: “ante a última trombeta”. Qual veio antes? Ou Qual é o texto correto?

    • Caro Sandro, obrigado por acessar o nosso site e compartilhar de sua dúvida. Aqui a partilha é sinônimo de crescimento e fé. Vamos à resposta de sua questão.
      Todas as versões católica da Bíblia tem alguma diferença no substantivo adjetivado (ante, ao som, último toque, perante) mas que tem o mesmo sentido, nesse texto específico. Não há erros, são apenas palavras diferentes mas que dá o mesmo sentido. Isso demonstra a riqueza da Palavra de Deus que, se faz entender por todos nós. O Versículo em questão faz parte de uma parte maior, que nos fala do momento final, não do mundo, mas da plenitude da história, onde vivos e mortos serão transformados pelo poder do Senhor ressuscitado. A mensagem é clara: a palavra final é a vida plena que Deus reservou para os que aderiram ao seu amor, na pessoa de Jesus ressuscitado Senhor da vida e da História.

Deixe uma resposta