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Lectio Divina – II: Como praticar.

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           São Cipriano de Cartago aconselhava a Donato: “Sê assíduo tanto à oração como a leitura. Ora falas tu com Deus, ora fala Deus contigo” (Ad Donatum, 15).

            Santo Ambrósio de Milão escreve: “A Deus falamos quando oramos, a Deus escutamos quando lemos suas palavras.” (De Afficiius Ministrorum, 1,20,88).

            A lista de testemunhas sobre a Lectio Divina é extensa. Mas, na prática como se faz a Lectio Divina? De que é composta?  Basicamente ela é composta de quatros elementos: leitura, meditação, oração e contemplação. E para cada elemento desses há uma pergunta cujo objetivo é faze-los bem, sem nenhum desvio.

            Primeiramente, é sempre bom no início invocar o Espírito visto ser uma leitura dos textos das Sagradas Escrituras. Logo entendemos, que não é qualquer livro, mas um livro especial que me/nos coloca diante do Sagrado. Por isso, sua leitura supõe fé. Segundamente, ter em mãos além da própria Bíblia e um material que te ajude na compreensão do texto escolhido. Munidos de tais ferramentas, vejamos cada passo.

Leitura:

Ler o texto, responder a pergunta: O que o texto diz?

            Nesse primeiro passo devemos ler o texto, saborear suas palavras, prestar atenção no que ele narra. Ao fazer isso, faça em seguida um resumo da leitura sem pôr ou tirar ainda uma ideia ou mensagem. Responda a pergunta central: o que o texto diz?

            Em seguida, vamos ao próximo passo: a meditação.

Meditação:

Ler o texto, responder a pergunta: O que o texto diz para mim/para nós?

            Nesse segundo passo procuramos compreender o que o texto quer dizer e que mensagem podemos tirar para nós hoje. Nesse caso, é importante nos acercamos de alguns instrumentos (conteúdos) como já foi dito, e que nos mostre o contexto do texto. Situando-nos no seu tempo, seus autores, seus destinatários, etc. tudo isso ajuda a compreender o texto no seu contexto.

            Nas atuais Bíblias modernas, Católicas e Protestantes, tem antes de cada livro uma introdução que ajuda a compreender o contexto do texto e é muito valiosa nesse momento. Outra ferramenta de ajuda é você se familiarizar com a leitura e as histórias da própria Bíblia; bem como conhecer a História da Salvação conforme a Linha do Tempo (Cebi).

            Uma vez que nos acercamos dos conteúdos que ajudaram na compreensão do texto e podemos penetrarmos em sua mensagem, passamos para o passo seguinte: a oração.

Oração:

Responder a pergunta: O que o texto me faz/nos faz dizer a Deus?

            Nesse passo, voltamos ao texto perguntando-nos que tipo de oração ele nos inspira a fazer nesse momento. É o gesto orante. Conforme a provocação que o texto nos fez/nos faz podemos entoar, cantar um hino, ou até mesmo recitar um salmo, ou mesmo fazer uma oração de intercessão, adoração, um pedido, um louvor, um agradecimento ou simplesmente um silencio adorante, etc. O importante é que sempre a partir do texto, possamos nos sentir provocados, criativos e orantes. Em seguida, temos o ultimo passo: a contemplação.

Contemplação:

Ler o texto e responder a pergunta: O que o texto me faz/nos faz enxergar de Deus?

            Chegamos ao passo final. Que não é o fim, mas o recomeçar de uma nova experiência. Ele consiste em silenciar e contemplar, observar mais, enxergar mais, e descobrir Deus na vida a partir das descobertas do texto. É uma experiência mistagógica.

            Uma palavra, um versículo, uma frase do texto ou até mesmo uma ideia poderá nortear esse momento.  Com ela, você fará sua experiência contemplante até sua próxima Lectio Divina.

Bem, como no início foi invocado o Espirito, será importante terminar sua leitura orante, agradecendo ao mesmo Espirito, visto ser essa pratica uma atividade profundamente de fé.

            E quando devo praticar a Lectio Divina ou Leitura Orante da Bíblia? Não há uma regra estabelecida. O ideal é que você faça sempre e que possa criar ritmo. A Palavra Deus sempre faz bem.

            E por qual livro devo começar? Bem, sempre sugiro às pessoas começarem pelos Evangelhos, depois as Cartas, no Segundo Testamento; também pode começar pelo Primeiro Testamento e nesse caso, os livros Históricos, Sapienciais e Proféticos são um bom começo. Mas, o bom mesmo, sabe? É você se familiarize com a leitura bíblica e se tiver alguma dúvida procure alguém experiente, honesto que te possa tirar as dúvidas. Outra ideia legal é seguir o Calendário Litúrgico da Igreja, se você for católico.

            Em todo caso, lembre-se, a leitura do texto bíblico exige que antes de qualquer interpretação pessoal, descuidada, sem fundamento e ao pé da letra, ela exige que seu leitor busque uma interpretação correta e nesse caso, a Igreja, principalmente de matriz católica, pode te ajudar. Sua experiência de mais de dois mil anos com a Bíblia a habilita para isso. Ela carrega e interpreta esse tesouro que traz consigo em vasos de barros a mais de dois mil anos e oferece a você o manancial da Salvação.

            Boa leitura. Boa Meditação. Dê o primeiro passo, o resto virá por acréscimo e só você com a Igreja sairão ganhando.

Bibliografia pesquisada:

  1. Colombas, Garcia M. Diálogo com Deus: uma introdução à Lectio divina. São Paulo: Paullus, 1996.
  1. Lectio Divina. Escola de Formação Paulo Apostolo. Aparecida-SP. Edit. Santuário, 1997.

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