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Introdução a posse da Terra Prometida (Livro de Josué e Reis)

morrobomjesus (10)A posse da terra feita pelos que saíram do Egito e por todos os oprimidos do entorno a Terra Prometida é um fato marcante na literatura bíblica e no imaginário popular. Essa posse nós a encontramos em Josué de 1 a 12. O texto é fruto da memória popular e de releituras posterior ao exílio. A expressão “tomada da terra” tem um sentido neutro, haja visto que, a luta por essa terra deus-e de modo ora pacífico, ora violento e ora por infiltração.

           As montanhas, florestas e sítios foram o palco dessa aventura. Judá se fixou nas montanhas e não lutou contra a planície porque os povos arameus e filisteus possuíam carros de ferro. Eram modernos. As tribos israelitas não exclusivamente, mas preferencialmente se estabeleceu nas montanhas. Sua estratégia montanhesa pela primeira vez produziu um resultado significativo: os povos da montanha começaram a desempenhar um papel social, político digno de nota, na história. Vejam que todos os centros importantes para Israel estão situados no alto, na montanha. Confira, por exemplo, episódios dos livros dos Juízes e dos Reis.

É significativo textos como esse: 1 Reis 20,23s.

O texto evidencia os conflitos internos da Palestina, quando a população montanhesa está em guerra com a população da cidade (urbana). Ou seja, há uma clara luta das tribos de Javé (Deus da Montanha) com os povos arameus. Há uma revolução social e conseqüentemente uma “posse da terra” com todas as inversões de valores sociais, política, econômica, religiosa e cultural.

As montanhas eram pouco ou quase nada habitadas. Israel a tomar para si e se torna um povo sedentário. Nas montanhas cria aldeias, se estabelece, se torna posseiro-agricultor. Por isso, é mister pensar que a “posse da terra” tenhas sido por infiltração, e em alguns momentos de forma bélica e noutros por negociação.

A geografia da Palestina na tomada da terra é generalizada, nacionalizada como um conjunto só. Não leva em consideração sua geografia político-social real. O texto é mais uma releitura do período do reinado tardio e talvez provavelmente do período do pós-exílio. Seu objetivo estaria em consolidar a posse da terra como um único território nacional e conseqüentemente no contexto da volta do exílio seja justo a reclamação de Israel pela tomada da terra como um todo. O texto então quer legitimar Israel como dono da terra ou à ela pertencente nato.

Interessante notar que, Israel só teve toda Palestina  sob o reinado de David e Salomão. Antes disso foi impossível.

Ao ler os textos de tomada de posse da terra, tenhamos em mente primeiro que, estamos diante de um texto que faz um relato de fé sobre fatos a muito tempo acontecidos; segundo, nele está contido sucessivas releituras enriquecidas com contexto diversos e trabalhado pelo redator final com o intuito de suscitar no ouvinte avivamento pela posse da terra frente ao opressor e o senso de pertencer ao povo da aliança. Uma das bênçãos da aliança é justamente essa: a posse da terra como dom de Javé. Daí o porquê do texto ser mais relato de fé e de denúncia, do que fato histórico a risca. Dessa forma podemos tecer várias reflexões dos textos dentro de contextos específicos como: o período dos reis, o período do exílio, o período da restauração… e por ai, se vai!

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