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Êxodo: é preciso partir.

exodoÊxodo significa saída. É partir de um lugar para outro. No caminho há desafios, descobertas, aprendizado, conquistas, esperanças; e uma nova forma de compreensão da vida. Na Bíblia, o êxodo é o grande movimento que faz sair da escravidão para a liberdade. Sair da “casa da escravidão” para a “terra que corre leite e mel”. Sua existência e força carregam um sentido teológico, muito mais que um apenas “sair de" e “entrar em”, denota algo profundamente axial e existencial. É mais que um movimento revolucionário, que meramente uma “escravidão”. Para a Bíblia, êxodo denota a existência e configuração embrionária de um povo; e como que, olhando por um espelho, todos os povos também é vocacionado ao êxodo, buscando o “sentido-em-si” de sua própria trajetória existencial. Cada pessoa, cada povo, cada sistema, é vocacionado ao êxodo. Ele não é ponto de chegada, mas de partida, não objetivo, mas caminho, caminho que conduz certamente para terras imensuráveis de leite e mel.

Dai entender porquê do Êxodo e do porquê hoje se faz necessário se por a caminho mediante os turbilhões e presilhas da vida e do mundo (pós) moderno.  A fé cristã é revolucionária, inquieta e inquietante, e por sua vez ela não se enquadra nas regras e ditames modernos. Por sua vez, ela soa como convite através do êxodo a buscar e forjar neste mundo, novas realidades de vida e liberdade, de sonhos e esperanças.

Olhem os jornais, vejam as noticias econômicas, sociais, políticas, culturais e ideológicas. Estamos em grande turbilhão de mudanças. Mudanças de épocas e épocas de mudanças. Há algo novo que nunca foi visto antes na história dos povos. Há um olhar e agir novo que descarta a tradição dos antigos. Há uma loucura, mas louca e esfomeada mais que a própria loucura. As certezas parecem não dizer mais nada. Movimentos gnósticos, místicos, religiosos se multiplicam de forma tal que as pessoas não mais tem bom senso; e se deixam levar pelo prazer das futilidades e doutrinas a esmos. Aquilo que é sagrado à religião virou produto comercial; e Deus tão “fácil” aos olhos e às necessidades que não se precisa mais de mediadores ou mesmo de instituições ou ainda da tradição.

Frente a tudo isso, o Êxodo nos convida a sair, a sair de nós mesmos, a sair da cotidianidade e desse contexto, para enxergar melhor. Para fazer a experiência com o Deus do “Deserto”, com o Deus da “Caminhada”. Ele desce, vê a realidade, chama-nos em particular, pronuncia o nosso nome, desestabiliza, caminha conosco e faz aliança.  Ele propõe nova história, nova vida, nova sociedade, faz insurgir “outro mundo possível”.

É preciso caminhar, mas para isso é importante sair, dar o primeiro passo, e nesse caso, sejamos discípulos ouvintes e aprendizes, e na hora de agir, seja o Seu Espírito Santo nossa força libertária, nos passos de Jesus de Nazaré, o Libertador Ressuscitado. Amém.

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