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Léctio Divina

Lc 4,18-19. O programa de Jesus – III: “Eu vim para dar vista aos cegos”

Por: Padre Guilherme Gomes* “Eu vim para dar vista aos cegos”, acrescentou Jesus em seu discurso de auto apresentação na sinagoga de Nazaré. Devolver a vista aos cegos, para Ele, não significa simplesmente sua capacidade de recuperar cegos do ponto de vista puramente físico como no caso dos cegos de Jericó (cf. Mt 20,29-34) mas, sobretudo, a cegueira da mente, a cegueira espiritual que é mais grave e perigosa que a cegueira física. Foi que ela arrancou dos lábios de Jesus esta expressão contundente contra os fariseus: “Jesus disse então: “É para um julgamento que eu vim a [ Continue lendo]

Lc 4,18-19. O programa de Jesus – II: Anunciar aos cativos à libertação

Por: Padre Guilherme Gomes* Anunciar aos cativos à libertação (Cf. Lc 4, 18); eis o segundo objetivo da vinda de Jesus ao mundo. Mas o que significa estar preso? No nosso entender comum é estar retido em um presidio, ou campo de concentração, sempre por ordem de alguém, como o vencedor de uma guerra ou autoridade agindo em nome de uma sociedade que ela representa no ato da punição. Noutras palavras é alguém que perdeu a liberdade ficando nas garras do inimigo ou nas garras da lei. Em sentindo mais abrangente é alguém preso a um tipo de situação que não condiz com a dignidade [ Continue lendo]

Lc 4,18-19. O programa de Jesus – I: Evangelizar os pobres

Por: Padre Guilherme Gomes* Logo ao iniciar seu trabalho missionário entre nós, Jesus declarou solenemente, em Nazaré da Galileia a que veio. Citou os cinco itens do seu trabalho conforme já estava previsto pelo profeta Isaías: Evangelizar os pobres, anunciar a libertação aos cativos, a recuperação da vista dos cegos, libertar os oprimidos e proclamar um ano de graça do Senhor (Cf. Lc 4, 18-19; Is 61, 1-4). Comento hoje o primeiro item: O que quer Jesus dizer ao falar evangelizar os pobres? Ele veio dizer: Animem-se, pois chegou à solução para vocês. Para vocês, os pobres nos [ Continue lendo]

A oração dos Salmos

            Os Salmos são a oração do povo de Deus, por excelência. De que trata os salmos?  Da vida e da morte; do cotidiano; do trabalho; dos afazeres do lar; das lutas e derrotas; das conquistas e vitórias; do ódio e do amor; da vingança e da justiça; da injustiça e proteção; da esperança e da eternidade; do nascimento e do cuidado com a vida; com a natureza; do homem e da mulher; da criança, do jovem e do idoso; as dores e de Deus; das incertezas e da perenidade.             Não há nada da vida humana que não esteja contemplado nos salmos. Todo [ Continue lendo]

Lectio Divina – I: História.

            A “Lectio Divina” é uma expressão usada para designar uma prática antiga da Igreja: a Leitura Orante da Bíblia. Essa prática consiste, sobretudo, em quatro elementos, a saber: a leitura, a meditação, a oração e a contemplação. Por esse caminho experienciamos a partir da leitura e do seu confronto com a vida, a presença e a ação de Deus. Não é algo mágico, muito menos intelectivo ou uma ideia, ou mesmo até algo de extraordinário e sobrenatural, não, não, não. Mas, é algo muito simples, singelo, profundo e mistagógico. Ou seja, aprendemos a [ Continue lendo]

Lectio Divina – II: Como praticar.

             São Cipriano de Cartago aconselhava a Donato: “Sê assíduo tanto à oração como a leitura. Ora falas tu com Deus, ora fala Deus contigo” (Ad Donatum, 15).             Santo Ambrósio de Milão escreve: “A Deus falamos quando oramos, a Deus escutamos quando lemos suas palavras.” (De Afficiius Ministrorum, 1,20,88).             A lista de testemunhas sobre a Lectio Divina é extensa. Mas, na prática como se faz a Lectio Divina? De que é composta?  Basicamente ela é composta de quatros elementos: leitura, meditação, oração e [ Continue lendo]

1Rs 19,1-20: Elias e o encontro com Deus

Leitura: O que diz o texto? Após o combate de Elias com os profetas de Baal, a rainha Jezabel recebe do rei Acab a notícia de sua derrota no conflito com Elias. A rainha manda avisar ao profeta que Ele não terá mais tempo de vida. Elias ao receber a notícia foge para o deserto, para a montanha do Horeb. Em sua viagem, pára em Bersabéia para em seguida entrar deserto adentro. No caminho, cansado, pára junto ao pé de junípero. Entra em desespero e pede a morte. O cansaço o faz dormir, porém, um anjo lhe aparece e lhe dá pão por comida e água por bebida. Admoesta-o a continuar o [ Continue lendo]

Jo 20, 19-31: A cegueira do Mundo

O maior acontecimento da história humana e de tudo criado já aconteceu, não vai mais acontecer. Porém custa ao mundo crer, porque sua miopia é de outra ordem: da falta de fé. Explico! Certa vez um grande padre teólogo, mas de uma humildade quase extrema (?!), pois, se bem me lembro, ele é doutor e formado em tudo que é “logia”, sem contar que é colaborador de um desses órgãos internacionais de pesquisa (notícia que soube de terceiros entre outras, que corre entre aqueles que lhe foram alunos, inclusive eu) e, que por isso mesmo, sabe do que tá falando. Pois, bem, um certo [ Continue lendo]

O uso da Bíblia, Palavra de Deus.

“ A palavra de Javé foi dirigida a…” Jn 1,1a “Fala, Senhor, que teu servo escuta” 1Sm 3,10c.             Deus fala, fala sempre! Ele se comunica conosco através dos meios que melhor possamos compreender. Dos muitos meios, um tem a sua predileção: a palavra. É claro que nem sempre a entendemos, por muitas barreiras que pomos em nossa relação com Deus, e por estarmos sempre buscando viver uma cultura que cada dia mais deixa o sagrado a margem de si mesma. Desse modo não estamos/temos o costume de ouvir e decodificar a palavra no cotidiano de nossas vidas de [ Continue lendo]

Marcos 9,2-10: Transfiguração

Neste segundo domingo da quaresma a liturgia nos propõe como escuta da palavra, o evangelho de Marcos 9,2-10. Nesse texto nos é apresentado Jesus transfigurado tendo ao seu lado Elias e Moisés, e aos seus pés os discípulos Pedro, Tiago e João. Dentro do contexto em que o evangelho foi escrito e salientando que o mesmo em certo sentido de leitura quer responder a pergunta “Quem é Jesus” fica obvia a resposta nessa perícope proposta para hoje: Jesus é aquele que (a) continua as intuições da linha profética (Elias) e da lei (Moisés);  (b) sendo ele o maior dos profetas e mais [ Continue lendo]

Lucas, 10, 38-42: Marta e Maria

No evangelho de Lucas, 10, 38-42, temos o episódio em que Jesus se encontra com Marta e Maria em casa de ambas. Marta atarefada pede que o Senhor repreenda a Maria que o escutando a seus pés, deixa a irmã com os afazeres domésticos. Esse, porém, lhe dirige a palavra enfatizando que Maria nesse momento estaria livre, pois, com a melhor parte, enquanto Marta deveria continuar executando a tarefa que a si lhe havia imposto. Essa leitura é de difícil interpretação e que, durante séculos serviu tanto para o Ocidente quanto para o Oriente de argumentação, quando não muito, [ Continue lendo]

Jo 12, 20-22: Queremos ver Jesus

Os gregos ouviram falar de Jesus. Sua fama se espalhou. Alguns gregos prosélitos, por algum motivo foram em busca de ver Jesus. Encontram André e Filipe, discípulos do Senhor. Pronto, o encontro foi arranjado. A atitude dos gregos supõe fé no Deus dos pais, Javé; eles eram prosélitos e ouviram falar da pessoa e do agir de Jesus (Jo 6, 37-38). Jesus é a definitiva manifestação de Deus no meio do povo (Hb 1, 1-4; Jo 5, 39.43a). Ele nos fala do Pai, de seu amor por nós. Ele age como age o Pai (Jo 5,19-20; 7, 16-18; 8, 25-29; 14, 5-11). Ver Jesus não significa para nós, hoje, [ Continue lendo]

Jo 3,14-21: Jesus é Luz!

No evangelho desse quarto domingo da quaresma temos alguns elementos bastante complexo para nossa reflexão: aí encontramos o amor de Deus que nos dá o que de melhor tem para provar que nos ama e nos quer bem; ao mesmo tempo esse objeto de amor do Pai nos é exigente divisor de lados: a luz ou as trevas; e por fim, temos a questão da verdade absoluta na qual todo homem um dia se questionará e se posicionará perante ela. O amor que emana de Deus por nós é incondicional. Ele toma a iniciativa e vem ao nosso encontro, esteja onde estivermos e como estivermos. Ele não mede esforços para [ Continue lendo]

Jo 2, 13-25: Nova compreensão do Sagrado

Para nossa reflexão e leitura orante, proponho o evangelho de Jo 2, 13-25, Jesus no templo. O enredo nos permite levantar algumas questões: o ato de Jesus é um ato ético, político e profundamente profético. Ético, porque mostra que rituais religiosos que mais escraviza do que liberta não condizem com a liberdade dos filhos e filhas de Deus; e que porquanto, não legitima o Deus transgressor do Êxodo e dos Profetas. Ato político, porque é uma insurreição contra o sistema dos sacerdotes e de sua teologia divina que ‘atava fardos pesados’ sobre as costas do povo e os mantinha [ Continue lendo]

Mc 1, 9-11. O batismo de Jesus

Experiência excepcional foi para Jesus o seu batismo. Nada consta desse momento a não ser, do que se é dito nos evangelhos, sob diversas matizes teológicas. Sem sombras de dúvidas, esse momento nos diz muito, a nós e as comunidades primitivas: é a partir desse momento que Jesus toma para si, enquanto adulto, aquela preocupação primeira e única em sua vida, o Reino. Nada sabemos de suas experiências interiores, místicas, e de descobertas sobre Deus e seu querer, entretanto, sabemos que, o batismo constitui para Jesus entre tantas outras experiências a mais paradoxal do encontro do [ Continue lendo]

Mateus 11, 25-30: A nova experiência de Deus

A religião judaica com seus ritos e preceitos e sua prática pelos grupos religiosos e políticos da época de Jesus deixava sobre o povo um fardo muito grande. Deus era contemplado sobre o prisma da Lei. E conforme o Código da Santidade (Lv 17-26,46) os pobres, os doentes, os estrangeiros, os profissionais das mais variadas atividades consideradas repugnante e impura juntamente com os pecadores, estavam distante dessa realidade e não podia se quer se aproximar do sagrado. Tal era a situação que perdurava sobre o povo que ele mesmo estigmatizado fazia a seu modo, sua pratica religiosa [ Continue lendo]

João 12,20-33: Jesus, dom de Deus para nós.

Hoje, queremos partilhar o texto de João 12,20-33. Ele nos apresenta um momento impar da vida e do ministério de Jesus. Sua pessoa e mensagem extrapola as fronteiras e chega aos gregos. Lembrando que a região da Galileia era um corredor de passagem para a Judéia, e conseqüentemente, era a porta de entrada para esse mundo fascinante que é a cultura israelense. Pois bem, chega através dos discípulos aos ouvidos de Jesus o recado de que alguns gregos querem prosear com ele. Nesse momento, acontecem duas coisas: Jesus se alegra e entende que essa hora representa uma glória; e por outro [ Continue lendo]