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Aparições e Revelações.

ceu_apariçõesAparições e revelações é algo comum nas religiões mistéricas. Desde os tempos mais remotos que homens e mulheres registraram experiências sensitivas dando à elas algum valor que de algum modo interfere na vida de pessoas, grupos e povos. Na religião judaico-cristã essa realidade também existe e tem uma outra conotação. Sobre isso, abordamos neste artigo, e que, fundamenta-se no subsidio doutrinal da CNBB: “aparições e revelações particulares (Paulinas 1990)”

            Na tradição de matriz Católica Romana aparições e revelações particulares são fenômenos que devem ser avaliados a partir das Sagradas Escrituras, da Sagrada Tradição e do Magistério. Nenhuma revelação ou aparição deve estar em contradição com o essencial da Revelação-Jesus.

Então o que é aparições e revelações particulares?

             “Aparições” e “revelações” são experiências de ordem psíquica. Por elas se diz reconhecer objetos, seres e situações normalmente “invisíveis”, como Deus, Anjos, e pessoas em situação escatológica como: os santos, a Virgem Maria, as almas. São fenômenos extraordinários que não se podem pressupor, mas dos quais temos inúmeros relatos de experiências.” (pág. 11)

             Porque elas acontecem? Como a Igreja as avalia?

            Geralmente, tais fenômenos acontecem mediante situações de crise e insegurança frente ao futuro, conforme as situações do momento presente; e quase sempre tem uma mensagem de conversão e esperança, cujo conteúdo é bíblico, evangélico. Entretanto, nem toda aparição ou revelação se mostra verídica, de modo que a Igreja busca meios que possa dar uma orientação segura aos seus fiéis. E para isso a Ciência presta um bom serviço, contudo, ela não diz tudo. Mas a Igreja leva em consideração suas apreciações, mesmo sabendo de seus limites. Eis o que nos diz os bispos, a respeito.

             “As ciências não tem a pretensão de dizer a última palavra. Por conseguinte, a ciência, hoje, não pretende negar a priori que possa haver fenômenos extraordinários. Apenas diz que não pode afirma-lo, a partir de suas regras de saber.” (pág. 12)

             E continua…

             “Há, pois, outros modos de “ver”, de “ouvir” etc., que a própria ciência hoje aceita e que se pressupõe, acontecem também no fenômenos de aparições e revelações. Os sentidos externos e internos apenas registram os fenômenos. Não dão nenhum juízo sobre sua natureza. Esse juízo cabe à inteligência. A inteligência humana, aplicada ao saber cientifico, interpreta e organiza os dados disponíveis, e pode, inclusive, pronunciar-se sobre a natureza do fenômeno… Portanto, para alguém se pronunciar sobre a natureza de alguma coisa não bastam os sentidos. Requer-se critérios de avaliação que a experiência vai progressivamente recolhendo, no decorrer da História.  (pág. 13)

 Nas aparições e revelações está no centro o ser humano (homem ou mulher) como receptor e interlocutor, cuja mensagem recebida é também portador. Então, nasce a pergunta: o que é o ser humano diante dos fenômenos de aparições e revelações particulares? Os nosso bispos nos dizem.

“O próprio homem é um mistério. O ser humano é um sujeito dotado, ao mesmo tempo, de uma dimensão exterior e interior, essencialmente corpo e espírito. O corpo é uma espécie de “central de comunicações” pelo qual o ser humano entra em relação com o mundo dos objetos e das pessoas que o cercam. Os objetos, as coisas, “aparecem” e se “revelam” a ele através dos sentidos externos como a visão, a audição, o olfato, o gosto e o tato. Os sentidos internos, em especial a fantasia, trabalham as “informações”, montam uma imagem interior, síntese dessas informações com outros conteúdos já presentes no consciente ou no inconsciente.” (pág. 12).

 Dessa forma, as aparições e revelações são fenômenos cuja “roupagem” usa aquilo que é próprio da cultura do vidente para comunicar-lhe algo de modo particular ou coletivo. Falando de outro modo: o vidente quando ver, por exemplo, Nossa Senhora, a vê da forma como crer e lhe mostra sua fantasia, com aspecto transcendental. Do mesmo jeito, por exemplo, é com os anjos. Se em sua fantasia tem asas e/ou é criança, nas aparições esse elemento o será. Mas isso não é uma regra ou norma.  Com isso, subentende-se que, quando Deus fala com alguém, o faz na linguagem e com coisas que o mesmo (o vidente) entenda, (DV 4). Deus fala de modo claro, respeitando a cultura, o jeito, a língua e a capacidade de compreensão do seu “eleito”.

            Não é a “roupagem” a coisa mais importante, e sim o “conteúdo” e é esse que a Igreja busca compreender a partir da Revelação e Tradição normativa de fé da própria Igreja. Para isso, ela se vale de sua experiência milenar e não despreza o serviço e trabalho cientifico como já o frisamos aqui.

Aparições e revelações que até agora a Igreja confirmou só veio corroborar aquilo que já está Revelado. Nada de novo! Mas, porque as pessoas ouvindo a pregação da Igreja, não se convertem a Mensagem, de modo que, quando há tais “aparições e revelações” multidões acorrendo para ver tais fenômenos se convertem? Bem, esse é algo que a Igreja vem refletido a anos; talvez uma das coisa que explique seja, justamente, a mudança de época. O fato é que, quando acontecem esses fenômenos muitos curiosos e sedentos se convertem e mudam de vida radicalmente. Entretendo, não se constitui conversão apenas “ficando mais religiosos” ou “praticando atos religiosos”, por mais devoto que isso possa parecer. A conversão implica uma mudança radical de vida sob todos os as aspectos político, cultural, moral, espiritual, religioso, etc., de modo que, a pessoa se torna uma outra pessoa na maneira de pensar e agir, segundo o Evangelho (que em última instância é a norma de vida de todo cristão). E a conversão não é instantânea, é um processo gradativo e permanente.

A partir desses fenômenos, o que melhor pode acontecer é o fiel ou fieis criar novos hábitos (rezar, ser mais generoso, praticar mais atos religiosos, tirar certos hábitos, participar da religião…) que demonstram sua abertura, fé e acolhida dos mistérios de Deus e sua palavra na vida, coisa que, antes não lhe acontecia por muitos e diversos motivos.

Enfim, quando a Igreja emite um parecer favorável ou não sobre tais fenômenos o faz como Mãe, Mestra e Pastora do Povo. E sua cautela se justifica porque é responsável por aquilo que o Senhor lhe deu para fazer: anunciar a Boa Nova do Reino até que Ele volte.

__________________ Consulta:

Aparições e revelações particulares – Subsídios Doutrinais da CNBB – 1. São Paulo, Paulinas 1990.

Compendio do Vaticano II (Dei Verbum), Petrópolis, Vozes 1987.