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A sociedade da época de Jesus

Série de Textos de Estudos Bíblico 2ª Texto: A sociedade da época de Jesus

estudos_biblicosTendo Lucas 3,1-2 como “pano de fundo” em nosso segundo texto da série de estudos bíblicos para grupos de crisma, de jovens, de círculos bíblicos e rezas nas famílias, tecemos o tema da sociedade na época de Jesus. Como viviam, como compreendia os tempos de Deus que estava por vir? Como Jesus compreendeu esse momento? Eis o queremos refletir nesse texto.

A Sociedade da época de Jesus

            Jesus viveu numa sociedade. A sociedade é a forma como o povo se organiza e vive seus destinos. Na sociedade do tempo de Jesus havia grupos políticos e religiosos; havia o rei, o imperador, o sumo sacerdote, os sacerdotes, a legião de soldados romanos, grupos guerrilheiros (hoje diríamos “terroristas”); havia trabalhadores nas mais diversas áreas da vida humana: servidores públicos, agricultores, pedreiros, carpinteiros, comerciantes; havia mercenários, doutores, juízes, advogados, religiosos; havia também a família, o rico e o pobre, o doente, o leproso, a prostituta, o mendigo, as viúvas, as mulheres e crianças e os pecadores.

            Na sociedade de Jesus também se pagavam impostos: Os agricultores deveriam pagar 25% da colheita como impostos para o templo em Jerusalém; havia taxas de circulação de mercadorias; havia impostos para o sustento das tropas de soldados romanos; havia o pagamento de 75% do imposto de renda anual, etc. O povo era muito sacrificado.

            E mais, todos esses grupos e organização social está nos textos bíblicos. Lá encontramos diversos grupos políticos e religiosos: o rei judeu Herodes e seu partido dos herodianos (cf. Mc 1,14-16; 12,13s), o imperador romano (cf. Lc 3,1-2; Mc 1,14-16); os soldados romanos (cf. Mc 15,16; Mt 8,5); os religiosos fariseus e a elite dos saduceus, escribas e doutores da lei (cf. Mt 22,23; Mc 11,27; 12,38-40); o conselho dos 71 anciãos ou o Sinédrio (cf. Mc 15,1s).

            Também encontramos gente do povo. O povo mesmo com suas mais variadas situações: o doente comum, os doentes possessos, os leprosos, os surdos, gagos e mudos (cf. Mc 1,32-34; 7, 32-35); os estrangeiros (cf. Mt 15, 21-22s; Mc 7,24-30); os publicanos e pecadores (cf. Mc 2,13-16; Lc 15,1-2); o coletor de impostos (cf. Mt 17,24); e os pescadores (cf. Mc 1,16). Toda essa gente e classe sociais tinha como referência em suas vidas a Lei e o Templo (cf. Lc 2,22-27); o Sábado (cf. Mc 2,23-24; 6,1-12) e suas festas anuais da Páscoa (cf. Mc 14, 12s; Jo 11, 55-57), de Pentecostes e das Tendas (cf. Jo 7,37). Além do templo, seu ponto de encontro semanal era a Sinagoga (cf. Mc 1,21; 5,22) nas cidades e aldeias. Aí prestam culto a Deus, leem as Escrituras, alfabetizam os filhos, partilham as notícias da vida diária da região. A Sinagoga é um ponto de encontro e de partilha da fé e vida.

            O que mais impressiona na sociedade e no tempo em que Jesus viveu é que, por causa da religião como era entendida, vivida e ensinada sobretudo pelo grupo dos fariseus, doutores da lei e saduceus, o povo era marginalizado e condicionado a se sentir, enquanto povo de Deus, pecador. Pecador por não cumprir a Lei tintim por tintim ao pé da letra; pecador por praticar “atos ou ter uma vida impura” que basicamente era ter profissões consideradas “impuras” sobretudo se essa obrigava a manter relações interpessoais e comerciais com estrangeiros, ou lhe dar com “coisas impuras” conforme descrita nos livros da lei.

            Daí entender, por exemplo, que certas doenças eram consideradas como castigos divinos; possessões do demônio (epilepsia, por exemplo), etc. O povo vivia psicologicamente refém de seus próprios medos, preconceitos e baixa estima, e isso refletia na sua relação com Deus, refletia na sua fé.

            Mas também é verdade que o povo era um povo festeiro, alegre, celebrativo, essencialmente religioso. Mesmo escravo dos romanos mantinham a esperança de que, como no passado, Deus iria o libertar.

Deus mandaria seu Messias (o Ungido) para salvar e libertar o povo. Era o que dizia as profecias nas Escrituras, e era o que todos esperavam naquele momento. E muitos candidatos apareceram…, mas, não foram muito longe, terminaram morrendo pela cruz ou espada romana, quando não era morto a pedradas.

            Diante de tantas expectativas e ideias sobre esse Messias, Jesus aparece com uma proposta inovadora. Mas, antes dele, veio João, João Batista.

Para aprofundar

  1. De modo geral você viu como era a sociedade no tempo de Jesus. Consegue identificar semelhanças e diferenças com a sociedade de hoje?
  2. Que ideia as pessoas tinham de Deus e de pecado naquele tempo? Porque?
  3. Como as pessoas compreendia a doença e o doente? Porque?
  4. Procure na internet algum site que possa aprofundar o tema de hoje: A sociedade da época de Jesus.
  5. Reze o Salmo 139 (138)

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