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A Ressurreição.

ressurreiçãoA fé cristã tem como elemento primordial e fundante a páscoa da ressurreição do Senhor.  A mensagem da páscoa é clara e objetiva: a vida é a palavra final. A vida continua de outro modo definitivo e pleno.

Como é esse outro modo nada sabemos; toda e qualquer especulação e descrição do mesmo é pura fantasia e devaneio intelectivo; porém isso não significa que não podemos refletir. Falemos, pois, da ressurreição da páscoa do Senhor enquanto vida e vida plena. Ela nos dá uma certeza: a vida continua. Como chegamos a essa conclusão? Quais as provas e argumentos?

A ressurreição antes de tudo é um dado de fé. É um ato de fé. Sem essa postura não tem como refletir sobre a mesma. É preciso insistir nisso. Ela é a continuação do antes num depois. Mas não de qualquer jeito. E o que é a ressurreição?

Digamos o que ela é, dizendo o que ela não é.

Ela não é o ressurgir de um cadáver, um voltar a vida como continuação da mesma nos mesmos moldes; não é sair e voltar ao corpo como superação das leis físicas da natureza; não é como a semelhança de Lazaro que acordou da morte mas morre logo depois de ter completado a sua vida terrena e finita.

A ressurreição é a total e radical libertação, superação e vitória sobre a morte e o que ela representa. Essa radicalidade, libertação, superação e vitória trazem consigo uma nova realidade como parte de um todo: a vida plena e definitiva.

            Tal realidade da ressurreição ultrapassa a vida terrena, finita e a supera no tempo e no espaço; e não está mais presa à historicidade da historia, superando-a radicalmente e de maneira tal. Isso não significa que exista uma separação, uma dicotomia na trajetória histórica da personagem que ressuscitou. A prova disso são as consequências que a ressurreição possibilita ao ressuscitado: “poderes”,  que anteriormente não havia tido. Tudo isso aconteceu a Jesus de Nazaré, o crucificado vivente.  E, só com Ele, de modo que, após Ele, essa realidade (da ressurreição) será concretizada na existência de nós outros, na fé em Cristo.

            Desse fato, nasce uma outra consequência mais radical para nós: esperança utópica. Pois, a ressurreição enquanto realidade de fé não é algo que podemos perceber, captar, compreender com a linguagem dos signos da comunicação e dos sentidos humano. E isso é o seu diferencial comparado com outras ideias e realidades que evoca a superação da morte e da perfeição humana.

            Lazaro morreu, mas ressuscitou pela ação pastoral de Jesus; entretanto, essa ressurreição foi o levantar do corpo para sua própria história terrena; não foi a ressurreição derradeira, ultima e escatológica, daí porque morreu de novo.

            A ressurreição de Jesus de Nazaré foi derradeira, radical e escatológica; e por isso mesmo superou a terrenidade da própria vida para assumir a completude e a perfeição da mesma; de modo que Ele pode transitar livremente por essas duas realidades e ser a mesma pessoa; na mesma história, porém plenificada. Daí entender porque a ressurreição é um ato e um dado de fé.

            E como dado de fé, funda a cultura e a esperança cristã. Não fez história, entra na história para leva-la a plenitude. Por isso que não vemos O ressuscitado a olho nú e ele não vive entre nós materialmente, corporalmente e fisicamente, como entidade nos moldes como compreende a reflexão grega anterior; mas, sim, Ele se encontra entre nós de uma outra forma, de modo que pela fé sabemos que está presente, se faz presença permanente. Mas uma presença ressuscitada cuja realidade terrena e finita não pode conceber, daí a fé.

            Crer na ressurreição é, pois, para os cristãos um imperativo de fé; uma fé que é graça de Deus. Não é uma fé em doutrina, ideia ou coisa assim; mas uma fé de que ela é real e pura iniciativa de Deus. A ressurreição é uma iniciativa divina e uma abertura de nossa parte e entrega total a Deus.

            Por isso a ciência não pode provar a ressurreição, nem concebe-lhe e nem conceituá-la. Porque é algo que lhe escapa à sua compreensão e tarefa. A teologia pode ensaiar alguma reflexão, expor e dar as razões da mesma, porém o que diz, o que faz, vai mais na linha da suscitação da fé do que das explicações da razão.

            Começamos nossa reflexão dizendo que a ressurreição é um dado de fé, não de qualquer fé, mas da fé cristã, de modo que ela funda uma cultura, uma história e uma esperança, terminamos essa reflexão com o testemunho dos primeiros cristãos: “Estais procurando a Jesus de Nazaré? Ele não está mais aqui! Ressuscitou! Ide, pois, à Galileia, ele vos precede, lá o vereis!”.

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