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A perseguição a Jesus

Série de Textos de Estudos Bíblico 8ª Texto: A perseguição a Jesus

A morte de Jesus é redentora, salvadora, nos diz a fé cristã, mas por outro lado, a causa que defendia o levou ao martírio. Ele foi assassinado. Porém, Deus não deixa impune a morte do Justo. Nesse texto, a partir das intuições e testemunho do Evangelho e Marcos nos capítulos e versículos: 2,15-17;  11, 15-19;  12,38-40, tecemos nossa reflexão e estudos para você e os grupos populares de evangelização e catequese de nossas comunidades.

A perseguição a Jesus

Durante todo seu ministério Jesus prega, ensina, cura e perdoa os pecados. A sua fama se espalhou de maneira tal que ele não podia circular pelas cidades (cf. Mc 1,45b) de modo que ficava nos seus arredores. Esse trabalho chamou a atenção dos líderes e das elites religiosas do seu tempo.

E eles não gostaram do que viram e ouviram. Imagine só, por exemplo, Jesus perdoar pecados, profanar o sábado sagrado; e isso era demais para a elite dos doutores e religiosos, e que para eles, Jesus estava blasfemando (cf. Mc 2,5-7). Para os doutores da lei, fariseus e saduceus Jesus estava se apossando do sagrado. Pronto, estava aberto o conflito. E ocasiões não faltaram para o conflito se agravar. Foram três anos da vida de Jesus.

Segundo Marcos, a próxima ocasião foi na casa de Levi. Escribas e fariseus incomodados com a sua fama e as más companhias com as quais Jesus estava e convivia, questionaram o seu agir (cf. Mc 2,15-17). Era mal exemplo para muitos pecadores, lhes dava falsas esperanças e interpretava com isso, os atos religiosos e os costumes sagrado de modo errado. Eles tinham com o que se preocupar.

E as coisas que fez no sábado? O sábado era o coração da pratica religiosa judaica. E Jesus “violou” o Sábado (cf. Mc 2,23-28). De fato, Jesus extrapolou os limites, para eles. E foi leviano curando o homem da mão paralisada no sábado (cf. Mc 3,1-6). Foi a gota d’água. Ele era passivo de morte (cf. Mc 3,6). Era só questão de tempo!

O conflito estava tomando novas proporções, a opinião pública estava dividida; e até entre seus parentes, não há consenso sobre Jesus: enlouqueceu, diziam eles (cf. Mc 3,21); e mais, porque não se revela de uma vez, e revela seus planos para o povo? (cf. Jo 7,1-9). A família estava dividida, não acreditava nele. E na Judeia ele era procurado (cf. Jo 6,1).

Por ocasião de suas pregações, uma comitiva de Jerusalém vai ao seu encontro (cf. Mc 7,1s) para debater sobre as tradições legalistas nas quais acreditavam e praticavam. Queriam saber de fato sua posição sobre o assunto. E Jesus dá sua opinião, é duro e argumentativo, ganhou o debate, mas teve que se retirar por algum tempo para os arredores de Tiro (cf. Mc 7,24s) e não queria que ninguém o soubesse. Pois, não confiava neles e sabia que o tempo estava perigoso para si. De Tiro, ele depois passou para Sidônia e voltou para a Galileia (cf. Mc 7,31). Estava em casa, no seu país.

E de novo Jesus se encontra com os fariseus. Na conversa eles querem que diga quem ele é e a que veio, queriam um sinal. E Jesus não deu o sinal.

E aqui, cabe-nos perguntar: Por que Jesus e a elite do seu tempo, sobretudo os fariseus, não se entenderam? Porque havia dois projetos em jogo, dois modos de compreender a Deus, o povo, as tradições e as leis. Não há como abrir mão. A elite com seu projeto de “santidade” e do “povo escolhido” excluía, julgava e condenava o povo; o projeto de Jesus acolhia, incluía, usava de misericórdia e salvava o povo.

E Jesus tinha consciência de sua decisão e das consequências: era preciso que a semente morresse para dar frutos (cf. Jo 12,24-25). E começou a orientar os discípulos sobre essa questão (cf. Mc 9,30-32; 10,32-34).

Aliás, sobre escapar da morte Jesus tinha experiência, pois, numa outra ocasião segundo Lucas, logo no início, quando foi a Nazaré escapou de ser linchado (cf. Lc 4, 28-30), saindo ileso.

E volta e meia novos debates e conflitos aconteciam: sobre o divórcio (cf. Mc 10,2s); sobre o templo de Jerusalém que era usado como banco de cambio – covil de ladrões, etc. (cf. Mc 11,15-19). Inclusive sobre o templo terá uma acusação no seu processo contra ele (cf. Mt 26, 60-63a) perante o tribunal do Sinédrio.

Do episódio acontecido no templo, o texto é claro em afirmar que as autoridades tinham medo da força do povo e do seu julgamento (cf. Mc 11,32; 12,12). E por isso, naquela ocasião nada fizeram contra ele.

Mas Jesus não se calava. Em Jerusalém, na Judeia, os textos são claros – Jesus os afrontava com liberdade, autoridade e coragem (cf. Mc 12,12); de modo que noutras ocasiões os acusa de guias cegos (cf. Mt 23,19-20s); de entregar o que é de Deus aos romanos (cf. Mc 12,13-17). E claro que as elites não gostavam do que ouviam. Jesus era insolente, blasfemo, sem papas na língua. Era preciso uma ação rápida para eliminá-lo, isso não podia ficar assim.

E o tempo veio em boa hora. Eles começam a arquitetar um plano de eliminação (cf. Mc 14,1-2.10-11) e como podemos ver nos textos, também gente do grupo de Jesus não estava satisfeito com Jesus. Judas resolveu entregar o Mestre, pois ele tinha ultrapassado todos os limites que nem mesmo Judas, zeloso e devoto, o faria.

Preso (cf. Mc 14,43-46) tentaram arrumar testemunhas contra ele, todas falsas (cf. Mc 14,53.55s); e foi julgado sob a acusação de blasfêmia junto ao Sinédrio (cf. Mc 14,63-64); depois levado ao tribunal romano foi condenado (cf. 15, 1. 15). Pois, é melhor que diante das autoridades sobretudo romanas, um só homem morra pela nação (cf. Jo 11,49-50s) do que todo povo. E aí você já sabe do desfecho final: na cruz está escrito o motivo de sua condenação: INRI – Jesus Nazareno Rei dos Judeus (cf. Mc 15,26). Um subterfugio, um motivo que esconde o real motivo de sua morte: Ele era o Messias, o Servo, o que devolveria a Israel o orgulho de ser povo de Deus conforme a Aliança, mas teve um erro de cálculo: esbarrou nos planos ideológico dos dirigentes da nação.

Entretanto, os dirigentes da nação não contaram com “uma carta na manga”: Deus não queria seu Servo morto, e tratou de mudar o final dessa história. Ele o ressuscitou!

Daí por diante, é fé.

Para aprofundar

1. O que lhe chama a atenção na relação de Jesus com o povo e a elite do seu tempo? Porque?

2. Em resumo qual os pontos principais do conflito entre Jesus e as elites?

3. Historicamente: Porque morreu Jesus?

4. Ler o texto de Isaias 61

5. Rezar o Salmo 22

6. Responder: Que sentido tem a morte de Jesus?

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