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A Palestina no tempo de Jesus

Por: Maria Paula de Lima

Palestina-tempo-de-JesusÉ comum nos dias de hoje saber que não é possível entender a história de Jesus fora do contexto histórico em que ele viveu. Sua atuação se deu em um tempo e lugar determinados dentro de circunstâncias bem concretas. Conhecer esse contexto é um fator primordial para entender o que significa a vida, as palavras e suas ações, principalmente para a vida das primeiras comunidades cristãs e para nós hoje.

A sociedade palestinense sob a tutela do império romano é bastante complexa em sua rede de relações políticas, econômicas, religiosa e ideológicas. Havia uma insatisfação e uma instabilidade política que por força ideológica assombrava o povo; havia uma população bastante heterogênea e grupos opostos; bem como, excessiva exploração do povo por meios de impostos; divisões administrativas do império em regiões e locais estratégicos; havia também as divergências teológicas entre grupos religiosos judeus, bem como divergência e confrontos ideológicos dos grupos e partidos políticos tanto romano, como judaico.

Do ponto de vista econômico, o modo de vida e consumo da sociedade era marcado pelos desmandos do comercio principalmente religioso; como da produção da cerâmica artesanal, da agricultura, da pecuária, da pesca e dos pequenos trabalhos braçais (carpintaria, consertos de redes, etc).

Dentro da sociedade, os pobres eram uma categoria que se apresentava sob variados estereótipos: assalariados, escravos, artesãos de aldeia e pescadores. Eram os marginalizados e discriminados sociais. Não ficavam atrás, as viúvas, as mulheres, as crianças, os doentes, os leprosos, os possessos, os estrangeiros. Sobretudo essa marginalização adivinha de razões não só sociológicas, mas de razões religiosas mesmo, onde havia as prescrições levíticas sobre a pureza e impureza legal, o que tornava as muitas situações dessa gente via de regra, irreversíveis.

A família tinha uma imensa importância na vida social e religiosa, pois era guardiã das tradições. Sua constituição era patriarcal, ai a mulher casada tem força administrativa dos afazeres domésticos tão somente, mas o poder de decisão compete ao homem.

Socialmente, os grupos tanto religiosos, como político, ideológico, têm grandes influencia, mas não tem força de decisão na política dominadora romana.

Eis algumas de suas características.

Havia o grupo dos Saduceus: formado pelos grandes proprietários de terras e membros da elite sacerdotal. Rejeitavam as doutrinas dos fariseus, negavam a ressurreição e o juízo final. São os maiores colaboradores do império romano, conservadores em assuntos religiosos e políticos. Foram os principais responsáveis pela morte de Jesus;

Havia o grupo dos Fariseus: religiosos leigos, tradicionais, tinham fama de acumularem méritos perante a lei e a religião, gostava de serem bem vistos pelo povo. Acreditava na imortalidade da alma, na ressurreição, na existência de anjos e espíritos, a intervenção de Deus nos destinos humano, e por isso mesmo acreditavam que havia os justos e os pecadores. Seu conceito e práticas religiosas levavam o povo a afastar-se e ter uma concepção de Deus e da religião bastante alheia a pratica da misericórdia. Sua influencia era extraordinariamente grande na religião e na sociedade.

Os Essênios eram uma seita de monges que se consideravam eleitos de Deus. Eles não participavam do culto e nem valorizavam a instituição religiosa. Consideravam-se o único povo de Deus legitimo prontos para a batalha do dia da Javé contra os inimigos. Viviam em pequenas comunidades e mantinham uma regra de vida comum. Tinham rituais próprios (banhos, refeições, batismos, abluções) e eram contra os romanos.

Os Zelotes eram os zelosos ou fanáticos, representavam a ala mais radical dos fariseus. Utilizava-se de armas e formavam grupos revoltosos para combates contra os romanos. São os zelotas que se empenham na campanha contra os romanos em 66 d.C e levaram o povo à ruína em Massada.

Também havia os Herodianos que eram colaboradores do rei Herodes. Funcionários da máquina do Estado, muitos dentre eles eram judeus e se beneficiavam com o regime. Verdadeiros bajuladores eram olhos e mãos do rei.

Por fim, temos ai os Samaritanos – que eram habitantes da região as Samaria, considerados pelos judeus como hereges e pagãos e não tinham relações amigáveis com essa gente. Para os judeus, os samaritanos eram uma mistura de povos pagãos com sangue judeus e por isso mesmo eram tidos como gente pecadora.

Jesus viveu nesse contexto. Sua pratica evangelizadora vai mostrar o “rosto materno” e humano de Deus, o Pai. Ele vai ao encontro do doente, do pobre, do pecador, do pescador, da mulher. Acolhe a criança, o leproso, o cego, o possesso, e lhes mostra a todos o quanto Deus é Presença Libertadora, Salvadora, agindo no meio do povo. Sua ação é motivada por amor e obediência ao Pai. Jesus acredita que o Reino de Deus já está instaurando no meio do povo, ele age e prega essa boa nova e pede de seus ouvintes a conversão, abertura de mente e coração, atitude de vida – a metanóia.

A pratica de Jesus será levada adiante pelos seus discípulos, com a chegada do Espírito Santo, após a morte e ressurreição do mestre. Eles, como Jesus, acolhe o povo, anunciam-lhe boas novas, propõe uma nova história de vida com as/nas comunidades cristãs.

Fontes consultadas:

Mateos, Juan. Camacho, Fernando. Jesus e a Sociedade de seu tempo. São Paulo. Paulus. 2003.

– Dominguez, José. Sáez, Julia. O homem de Nazaré. Petrópolis. Ed. Vozes. 1987.

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