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A Igreja e Sua Origem Divina

Introdução

caminhadadapalavraA Igreja enquanto Povo de Deus tem sua origem em Deus mesmo. Ela é fruto da ação trinitária (do Pai, do Filho e do Espírito Santo) dentro do contexto da história de Israel bíblico do Primeiro e Segundo Testamento, sobretudo da ação histórica de Jesus.

Evidentemente que Jesus em sua trajetória humana, e com os condicionamentos próprios da cultura e contexto de Israel do século primeiro, jamais pensaria em dividir ou criar um novo povo, diferentemente da tradição de mais de mil anos de sua gente. Entretanto, se não de modo explicito, e compreendido assim, naquele dado momento histórico de sua existência, de outro modo, não foi o que aconteceu com os eventos que se seguem logo após a páscoa (a ressurreição) e sob a luz do Espírito (pentecostes) no decorrer da pregação apostólica, onde fica clara e em evidencia a criação de um novo povo. E esse novo povo de Deus seria de ordem e natureza universal, nascido da fé comum em Jesus e sua práxis, presente em todos os povos mediante a partir da pregação missionária. É claro que essa compreensão não nasceu da noite do pro dia, e nem tão pouco foi isenta de conflitos, que o diga as Cartas apostólicas. Essa consciência foi uma lenta fermentação no decorrer da vida cotidiana das comunidades nascentes até ser uma Doutrina bíblica apostólica e conciliar.

Desse modo, todas as profecias e demais fatos e imagens bíblicas foram sob certo ponto de vista uma prefiguração daquilo que estava por vir, e uma confirmação própria da vontade de Deus: a criação de um novo povo. Esse povo nasceu então com a missão histórica de pregar o Reino e os desígnios de Deus para toda humanidade durante toda a sua trajetória histórica até a consumação definitiva.

Essa compreensão – e trajetória histórica, sociológica e teológica da Igreja – como criação divina, prefigurada nos textos do Primeiro Testamento, fundamentada na pratica de Jesus, e presente na ação missionária apostólica e na vida das primeiras comunidades cristãs, é professada no Credo apostólico e nos documentos Conciliar como sendo ação de Deus mesmo na ação humana. Desse modo, como reza a Tradição eclesial, a Igreja tem um caráter divino e humano (que não abordamos aqui ) de modo que enquanto divino está assegurada sua existência até a consumação final e enquanto humana está sujeita aos ‘víeis’ das relações complexas da historia e da humanidade. Seu papel histórico enquanto povo de Deus (Igreja, Assembléia) é ser fermento na massa; fermentar a historia dos povos, sendo um só povo régio, sacerdotal e profético.

Imagens bíblicas da igreja

            Diz-nos o Concilio (LG, 2), que desde a origem do mundo a igreja enquanto povo de Deus foi prefigurada e preparada por assim dizer, na história do povo de Israel. Ela foi fundada nos últimos tempos e manifestada de modo concreto pela efusão do Espírito Santo.

            De Jesus quando pregado na cruz, derramando água (lado humano) e sangue (lado divino) nasceu a Igreja. Eis a compreensão eclesial conciliar: Ela nasce concretamente do ato redentor de Jesus.

            E mostrando através dos textos bíblicos a origem divina da igreja, bem como nascida da pratica de Jesus, usando de linguagem simbólica o Concilio (LG 6), nos mostra e diz que: a Igreja é o um redil do qual Jesus é a única e necessária porta (Jo 10,1-10); é a grei da qual Deus mesmo é seu único pastor (Is 40, 11; Ez 31,11s); é a  construção de Deus onde o Senhor é a pedra  fundamental (1Cor 3,9; Sl 117,22; At 4,11); ela é a lavoura ou o campo de Deus (1Cor 3,9); é a vinha eleita plantada pelo divino Agricultor (Mt 21, 33-43; Is 5,1s); ela é o ramo que ligado a ele produz fruto (Jo15, 1-5); também é chamada de Jerusalém celeste, nossa mãe (Ap 12,17; Gal 4,26); a esposa (Ap 19,7; 21,2; 22,17; Ef 5, 24.29), etc.

            Há muitos outros textos com abundancia de imagens entre as quais encontramos aquela em que a Igreja é comparada a um Corpo, Corpo de Cristo, do qual ele é a Cabeça e os membros possuem diferentes funções, para o bom andamento e bem de todos.

            Todos esses textos e demais outros elucidam a questão de que a Igreja estava nos planos de Deus. A forma histórica e sociológica como isso aconteceu dependeu da capacidade de compreensão humana de seus atores históricos com seus condicionamentos de tempo e lugar. Evidentemente que enquanto povo, na historia houve um “parto” um “ato criador”, mas sua natureza e constituição desde sempre estava nos planos de Deus.

Esse ato “criador” (sociologicamente e antropologicamente falando) é fruto da pratica missionária apostólica assegurada pela ação do Espírito tendo como elemento substancial  o evento primordial da pratica e da pessoa de Jesus em contexto pós-pascal, como vemos nas Cartas apostólicas, e bem explicitadas pelo Concilio Vaticano II.

Mas… O cristianismo…

O Cristianismo é o Povo de Deus num movimento histórico encarnado na vida e na historia das nações e culturas distintas nos mais diversos lugares e épocas. É o povo de Deus organizado humanamente falando, com seus respectivos condicionamentos, conflitos e compreensões históricas inseridas na historia. A Igreja enquanto povo de Deus não está à margem da historia, nem superior a ela ou imune a ela e aos destinos das nações na qual se encontra inserida. Dai por exemplo suas grandes divisões em Romanos, Ortodoxos, Protestantes, etc. Mesmo assim e ainda assim, é o povo de Deus, com uma missão própria, com matrizes e leituras distintas;  porém, não uniformes e contraditórias, como querem alguns nos fazer entender, alargando ainda mais a chaga da divisão – algo demoníaco.

O povo de Deus nascido de Deus, sob contexto pascal (páscoa e pentecostes) é um povo de muitos povos, com diferentes rostos, mas com um só propósito, o Reino. Evidentemente nesse povo há um grupo que desde o primeiro momento (como já explicitei noutro artigo: Jesus fundou uma igreja?) se destaca em sua trajetória histórica e até se con-funde com a história do Ocidente, naturalmente, todavia, entretanto, o povo de Deus é muito mais amplo, em contexto que já falamos, carrega suas nuances próprias com suas cruzes e ressurreição.

Conclusão:

            Uma contribuição fantástica do Concilio Vaticano II para compreender a natureza bíblica e teológica da Igreja é a constituição dogmática Lumen Gentium (Luz dos Povos). Ela nos ensina e remete-nos a muitos elementos que por sob vários aspectos nos introduz  na compreensão da Igreja em sua natureza, origem, missão e presença no mundo. Nesses dias (2012) em que o Concílio completa 50 anos é importante retomar a leitura desse documento, como de todos os outros (ao todo 16, entre constituição, decretos e declarações), e rememorar aqueles dias primaveril do Espírito qual novo Pentecostes que nos libertou das sombras medieval que pairava há séculos sobre a Igreja, e a rejuvenesceu de vigor e força missionária como nos primeiros séculos.

            A Igreja é o Povo de Deus. Novo Povo nascido pelo santo Batismo no Sangue da Nova e eterna Aliança. Pensado, querido e concretizado por Deus no coração da história. Esse povo hoje está presente na vida dos povos e nações, com rostos e matizes próprias, dividido (inevitavelmente [!?]) é verdade, mas unido sob uma única bandeira matriz: Jesus, o Senhor.

            É bom ler esses documentos e nos imbuir de seu espírito que em suma reflete o espírito do Senhor vivo e ressuscitado presente hoje, aqui e agora.

E que creiamos ser povo santo presente no mundo, na vida, e motivados pela fé, a exemplo de Jesus, vivamos para melhorar a qualidade de vida, zelar pela salvação de todos, cuidar do planeta para as gerações futuras, denunciar as injustiças, adorar a Deus, lutar (com as armas da fé, da conscientização, da solidariedade, da bondade, da justiça, da verdade, da fraternidade, dos fóruns, das passeatas, das greves, das redes sociais, do diálogo, da oração, da denuncias…), contra o grande inimigo comum da humanidade que se faz presentes nos projetos globalizado do imperialismo disfarçados de bem, de bom e de belo.

            Eis a Igreja povo, povo de Deus reunido em nome de Deus, ele que na trajetória humana além de assim se manifestar, também se nos apresenta como Pai, Filho e Espírito Santo, revelando seu plano de amor. Esse é o povo, povo de Deus, que reunido em pequenos grupos, comunidades, congregações, dão testemunho de Jesus ressuscitado e trazem em seu corpo as marcas da cruz e da gloria celebrando antecipadamente a vitoria definitiva: a vida plena.

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